Ao final deste TCC  poderá ver o Boletim de Ocorrência e demais provas entregues ao JUSBRASIL, PORQUE QUEM NÃO DEVE NÃO TEME E CONHECIMENTO E CAPADICADE NÃO SE ROUBA!!!



TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO-TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE 07-2017

Primeiro agradecimento ESPECIAL a DIVINA TRINDADE SANTA QUE É DEUS JESUS CRISTO que pela minha vida zela e por me carregar sempre nos braços!
E outros agradecimentos especiais àqueles que contribuíram no desenvolvimento deste Trabalho de Conclusão de Curso – TCC:
            Ao Caro Professor Thiago Pellegrini da ETEC de Itanhaém, possuidor de competência em manejo florestal entre outras qualificações, que dispôs de seu tempo para orientação parcial e revisão final do tripé: solo x água x floresta que desenvolveu este TCC. E com aprendizado deste TCC realizamos o PRAD–Plano de Recuperação de Área Degradada, da disciplina de manejo florestal que aplica, e que o Caro Professor Thiago orientou e revisou. Assim sendo receba meus profundos sentimentos de gratidão pela atenção e dedicação.
            Ao Caro Prof. Dr. Sebastião Venâncio, da Universidade Federal de Viçosa – UFV – MG, que prontamente colaborou sobre variações de formulação do NPK e outros fertilizantes, além dos que constam em suas publicações.         
Ao Caro Prof. Dr. Antônio F. Monteiro Camargo Responsável pelo Laboratório de Ecologia Aquática da Universidade Estadual de São Paulo – UNESP de Rio Claro, sendo prestativo colaborando com os dados das análises físico–químicas das águas do Rio Branco, que pesquisa há alguns anos e analisa nos laboratórios da UNESP, assim como esclareceu minhas dúvidas.
Ao Caro Eng. Agrônomo Wilson Aparecido Contieri do Instituto Florestal de São Paulo– IF, que colaborou com a interpretação da análise do parecer do Instituto de Agronomia de Campinas – IAC, com solução para adubação química do solo, esclarecimento de dúvidas, assim como a avaliação de custo da área para o reflorestamento.
Ao Caro Ramon Morato Técnico Ambiental e Samuel do Departamento de Comunicação, ambos do Instituto de Desenvolvimento e Sustentabilidade da Amazônia – IDESAM, que com presteza colaboraram com material de estudos do Carbono Neutro para TCC, essa contribuição e esclarecimentos de minhas dúvidas, valeram mais que ouro, pois demonstraram a capacidade humana e técnica.
Ao Caro William S. Carrillo – Diretoria de Planejamento e Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Itanhaém, que me indicou o Plano Diretor–Lei complementar 168/2015, no que se refere à Conservação e Preservação das Florestas do Município de Itanhaém.
Ao Caro Carlos Frederico Munhoz Ferreira – Diretoria de Meio Ambiente da Prefeitura de Itanhaém, que me orientou sobre toda legislação da Área de Preservação Permanente – APP, o Novo Código Florestal e as demais leis atreladas e, grata também pelos dois livros emprestados de Recuperação de Área Degradada e Mata Ciliar do Prof. Dr. Sebastião Venâncio, que foram muito importantes.
A Caríssima Profa. de Português–ETEC–Itanhaém, Sra. Arlete Ataíde, que revisou a gramática desta Tese de Conclusão de Curso.
Ao Caro Professor Alex Paulo de Araújo da ETEC de Itanhaém, experiente em recuperação de áreas degradadas entre outras qualificações, acompanhou todas as experiências referente ao solo no laboratório da ETEC, orientou e revisou parte deste TCC.



“Temos de chegar a um consenso sobre novos valores, pois, a natureza não precisa de nós, somos nós que precisamos da natureza, se não revertermos o processo de destruição ecológica, a natureza poderá viver sem nós.”

Mikael Gorbachev.
Declaração na ECO92











              Acompanhando ao consenso de Mikael Gorbachev, eu dedico esse Trabalho de Conclusão de Curso de Técnico em Meio Ambiente, a cultura multidisciplinar para um Desenvolvimento Sustentável ao Bem Comum, assim como foi o intenso empenho do Professor Doutor Aziz Ab´Saber IEA–USP, falecido em 2012, e com o Projeto FLORAM incansavelmente labutou por um megareflorestamento nacional, pelo bem não só técnico como social, por que era assim que ele visionava o Progresso Real! O Bem Comum! E, como não podemos deixar de lembrar, também, o Professor Doutor Paulo Kageama ESALQ–USP, (falecido em 2016) que foi pioneiro no desenvolvimento de modelos florestais, e a partir dele se desenvolveram modelos econômicos florestais. Ele também prezava pelo Bem Comum!
E, para alcançarmos melhores dias ao meio ambiente no Brasil, temos em vigor o Acordo de Paris–Brasil–COP21/22–12 milhões de hectares de reflorestamento, que vem de encontro ao Bem Comum!
EM VIGÊNCIA– 2017– O ACORDO DE PARIS–BRASIL MAIS VERDE! Estamos apenas começando o NEW DEAL BRASILEIRO!

RESUMO
            Este Trabalho de Conclusão de Curso – TCC, cujo tema é: Desenvolvimento Sustentável para Produção de Água nos remete a um mal do século, já que são milhares de lugares e de pessoas em todo o planeta que, vivem com parca ou nenhuma água.
            Diante de tantos desafios e desequilíbrios ambientais, acerca de 25 anos todos os países admitiram as problemáticas ambientais, que são interdependentes como à própria natureza assim o é! Dentre os inúmeros problemas ambientais, centramos atenção no tripé: solo x água x floresta, devido à escassez da água, e apresentamos neste trabalho como reverter essa situação.
            Nas pesquisas realizadas todos os estudos têm consenso no reflorestamento como única solução, pois os cientistas provaram que as florestas produzem água através do sistema radicular, que também filtra e, também é o sistema pelo qual as árvores se alimentam, e tudo isso acontece através dos ciclos biogeoquímicos que é a natureza em contínua transformação.
            E as matas ciliares são o foco do nosso trabalho com suas funções ecológicas de suma importância na produção de água, promovem a manutenção do equilíbrio do ecossistema aquático, tem a função de evitar o assoreamento, minimizando os efeitos de enchentes, mantém a quantidade e a qualidade das águas, auxiliando na proteção da fauna local e muito mais. 

Lista de Anexos:
ANEXO A.) Instituto Agronômico de Campinas – FUNDAG, Seção de Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas. Cód. 8192 (1ª. amostra 0 a 10 cm), resultado da análise de solo – 31/08/16.
ANEXO B.) Instituto Agronômico de Campinas – FUNDAG, Seção de Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas. Cód. 8193 (2ª. amostra 10 a 20 cm), resultado da análise de solo –31/08/16.
ANEXO C.) Colaboração do Prof. Dr. Antônio Camargo – UNESP – Rio Claro – planilha anexa.
ANEXO C 1.) Planilha com dados de Análise Físico Química das Águas do Rio Branco. 
ANEXO C 2.) Planilha com dados de Análise Físico Química das Águas do Rio Branco.
ANEXO D.) As Principais Espécies para a Estrutura da Floresta do Parque Estadual da Serra do Mar e que serão utilizadas para o reflorestamento da Área de Estudo Virtual.


Lista de Figuras:                                                                                                            
Figura 1. – Zona Ripária com Ecossistema em Equilíbrio......................................... 
Figura 2.  – Esquema de Metragens de um Rio para Recuperação de Mata Ciliar,
.....................................................................................................................................
Figura 3. – Localização da Área de Estudo: Atlas de Itanhaém, Imagem Google
Earth 02/05/2016 e Fotos da Autora de 04/16.....................................................  
Figura 4. – Área Objeto de Investigação Demarcado..................................................
Figura 5. – Coleta de Solo, Fotos da Autora 04/16.....................................................   
Figura 6. – Mapa da Região de Itanhaém – Solo Predominante na Área
de Estudo –Atlas de Itanhaém.....................................................................................
Figura 7. – Experimento com Solo: Teste do Vidro, Fotos da Autora 09/16 e
Carta de Munssell ........................................................................................................
Figura 8. – Triângulo de Grupamento Textural.............................................................
Figura 9. – Experimento com Solo: Teste Táctil Visual, Fotos da Autora 09/16.......  
Figura 10. – Experimento com Solo: Classificação Textural, Fotos da Autora 09/16....
Figura 11. – Imagem Google Earth 02/05/2016 – Área de Estudo
Demarcando com Metragem para Reflorestamento........................................................
Figura 12. – Imagem Google Earth 02/05/2016 – Local de Coleta do Solo
e Local de Coleta da Água..............................................................................................
Figura 13. Ciclos Biogeoquímicos elaborados pelo LERF/ESALQ............................
Figura 14. – Imagem Google Earth 02/05/2016 – Área de Estudo Demarcada,
entorno composto de Floresta Ombrófila Densa.............................................................
Figura 15. – Modelo de Plantio 2 x 3 m – Pioneiras, Secundárias e Clímax..................     
Figura 16. – Esquema das Espécies Pioneiras e Secundárias Tardias..............................   
Figura 17. – Possíveis métodos para restauração ecológica, desde aproveitamento do
potencial de regeneração local, passando por monitoramento da chegada de propágulos
até o plantio de mudas (em casos onde não houve expressão da regeneração natural)......
Figura 18. Gualharia e matéria orgânica, Restauração Ecológica...............................
Figura 19.– Imagem Google Earth de 02/05/2016  – Área de Estudo Demarcada com
Modelo de Reflorestamento que será adotado ...............................................................
Figura 20. – Ponte do Rio Branco – Área de estudo, rio no período de chuvas e no
período de estiagem, foto da autora e foto do yotube:Obra da Sabesp em Itanhaém.... 
Figura 21. – Vazão do Sistema Produtor de Água Mambu – 2013.................................
Figura 22. – Acordo de Paris–Brasil:12 milhões de hectares reflorestados...................
Figura 23. – Sequestro de Carbono em Área Degradada Reflorestada – Pacto para
Restauração Ecológica da Mata Atlântica, LERF/ESALQ.............................................
Figura 24.  – Produtor Rural é Produtor de Água–Programa da Agência Nacional de
Água – A.N.A.................................................................................................................
Figura 25. – Desenho de Crianças: Calendário Temático do Colégio Albert Einstein
de Itanhaém, dos alunos  Monah Nascimento Pereira e Pedro Augusto Calliari,
(Calendário 2005) ..........................................................................................................

Lista de Tabelas:      
Tabela 1. Análise de Sedimentação            ...................................................................
Tabela 2. – Determinação Granulométrica do Solo – Processo de Peneiramento........   
Tabela 3. –Verificação de Teor de Umidade..................................................................  
Tabela 4. – Tabela com dados do Instituto Agronômico de Campinas – IAC
(*) Formulação calculada como ideal 20–00–15 + 1% de B + 1% Zn.........................   
Tabela 5. – Tabela com dados do Instituto Agronômico de Campinas – IAC
Formulação para ser aplicada após 3 e 6 meses.............................................................. 
Tabela 6. Principais Famílias Arbóreas do Parque Estadual da Serra do Mar,  
elaborada pelos professores Prof. Dr. Mantovanni & Tabarelli,.......................   
Tabela 7. Principais Espécies Arbóreas da Estrutura de Floresta do Parque Estadual
 da Serra do Mar, elaborada João Carlos Miguel Tomaz Micheletti Neto....................   
Tabela 8. Cálculos do Carbono Neutro por t/ha..........................................................  

Lista de Gráficos:                                                                                                              
Gráfico 1. – Assimetria da Análise Granulométrica da 1ª. amostra..............................  
Gráfico 2. – Assimetria da Análise Granulométrica da 2ª. amostra..............................  
Gráfico 3.– Gráfico de Coluna  da Vazão das Águas do Sistema de Produção
Mambu–Branco em M³.................................................................................................

                                                                    SUMÁRIO                                                    
1. Introdução ..................................................................................................................
2. Caracterização da Área em Estudo para Proposta de Reflorestamento da Mata–
Trecho na Margem Direita do Rio Branco–Jusante da Barragem Mambu–Branco–
Itanhaém–SP.................................................................................................................. 
2.1. Experimentos com Solo da Área de Estudo no Laboratório ETEC .....................  
2.2. Análise do Solo da Área de Estudo
– pelo Laboratório do Instituto Agronômico de Campinas – IAC ..............................  
2.3. Análise de Água da Área de Estudo
– pelo Laboratório da UNESP – Rio Claro – São Paulo ............................................   
2.3.1.   Como as Análises Físico–Químicas da Água colaboram na Interação com
a Mata Ciliar – Tripé: Água x Solo x Floresta...........................................................  
2.4. Área de Estudo–Espécies Arbóreas do Bioma Mata Atlântica–Parque Estadual
Serra do Mar–PESM (entorno da área de estudo)........................................................  
2.5. Técnicas e Critérios para Execução de um Reflorestamento ................................ 
2.6. Área de Estudo–Trecho da Margem Direito do Rio Branco–Jusante da
Barragem–Volumes de Água do Rio Branco–Novo Sistema Produtor de Água
Mambu–Branco..........................................................................................................    
2.7. Desenvolvimento Sustentável: Reflorestamento e o Programa de Carbono Neutro.
2.8. Programas de Reflorestamento do Governo do Estado e do Governo Federal......   
3. A Produção de Água: Produtor Rural é Produtor de Água e Produtor de
Florestas.......................................................................................................................    
4. Considerações finais.................................................................................................   
5. Bibliografia...............................................................................................................   

1. INTRODUÇÃO
Do Bioma da Mata Atlântica existente temos em torno de 7% das chamadas remanescentes da Mata Atlântica que são ricas em espécies endêmicas, com regimes pluviométricos anuais que alcançam, em média, 3.000 mm de precipitações no litoral sul de São Paulo. Das diversas fisionomias da Mata Atlântica destaca–se a de vegetação arbórea, que se estende pelas nove cidades: Guarujá, Bertioga, Santos, Cubatão, São Vicente, Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe que compõem a Baixada Santista. Parte dessas formações situam–se em áreas preservadas: o Parque Estadual da Serra do Mar, Parque Estadual Xixová–Japuí, Área de Proteção Ambiental Continental e Estação Ecológica Juréia que formam a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, caracterizadas como conjunto de Unidades de Conservação, com cerca de 315.390 hectares.
O Parque Estadual da Serra do Mar foi criado como Parque na década de 70 pelo Decreto Lei n° 10.251 de 30/08/1977, pelo então Governador do Estado Paulo Egydio Martins, é o maior Parque de Mata Atlântica que tem em suas áreas várias Reservas Florestais ao longo da cadeia de montanhas de relevo acidentado no litoral sul, relevo esse que dificulta muitas ações antrópicas. Essas reservas são, também, protegidas pela Lei Federal do Sistema de Unidade de Conservação n° 9.985/2000, dentre outras leis sobre Áreas de Preservação Permanente.
As atividades antrópicas historicamente geraram processos de degradação nesse bioma, fatos observados na Região Metropolitana da Baixada Santista – RBMS, que teve seu desenvolvimento econômico com a implantação da ferrovia São Paulo Railway, no final do século XIX, e criou–se atividade portuária em Santos seguido do complexo industrial em Cubatão e com a expansão das estradas na década de 50, construíram a Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, que facilitou o acesso e consequentemente a especulação imobiliária trouxe muito desflorestamento, modificando severamente a vegetação.
Dessas modificações na vegetação, reconhece–se que os manejos florestais, sem princípios e nem critérios, causaram e causam sérios desequilíbrios ambientais de ordem que foge ao nosso controle. Observamos que o rompimento entre o desenvolvimento econômico e a ecologia tornou–se explícito com o avanço industrial desordenado e a especulação imobiliária, praticados pelo pretensioso domínio da natureza, significando na verdade uma perda de seu suposto controle, resultando num processo de exploração predatória dos recursos naturais e afetando a própria vida da humanidade.
Dentre as formações de florestas e seus serviços ambientais, as florestas são produtoras de água e a mata ciliar tem atenção destacada no sistema de produção de água e manutenção das margens dos cursos d’água. Tais fisionomias recebem algumas denominações, tais como: mata de galeria, bordas da floresta, vegetal marginal, floresta marginal, floresta ripária, florestas ciliares, florestas ripícolas, mata beira–de–rio, mata beiradeira, zona ripária, formações florestais ribeirinhas, mata aluvial.
As florestas são sistemas complexos de valor incomensurável e nenhuma tecnologia reproduz os serviços ambientais, desde o simples ato “aparente” dos insetos polinizarem as plantas, os pássaros e animais dispersarem as sementes, ao serviço que as árvores promovem de absorver o gás carbônico e através da fotossíntese devolver o oxigênio. Há, ainda, muitos outros serviços ambientais da natureza, já que as águas e as matas são indissociáveis.
Referente às matas ciliares e a área de proteção, o Novo Código Florestal Lei Federal n° 12.651, para efeitos da Lei entende–se por:
Art 3°,Parágrafo II – Área de Preservação Permanente – APP: área protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com função ambiental de preservar recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem–estar das populações humanas.
As matas aluviais exercem suas funções através das águas, fonte da qual as árvores absorvem os macro e micronutrientes do solo e conduzem os mesmos até o alto da copa, mecanismos de transformação pela fotossíntese sendo novamente distribuídos por intermédio das águas e os elementos transformados por todas as partes da árvore.[1]
As nascentes são as origens das águas. As nascentes são conhecidas, também, por olho d’água, broto d’água ou manancial; são aflorações de águas na superfície do solo. As nascentes surgem de águas localizadas em camadas impermeáveis do solo, os lençóis freáticos, que são camadas saturadas de águas no subsolo, também chamado de lençol artesiano, lençol não confinado. São águas subterrâneas que vão dar origem a acúmulos de águas (represas) ou cursos d’água como córregos, lagos, regatos, ribeirões, riachos, rios, que são alimentados continuamente já que os olhos d’água são absolutamente dependentes do complexo florestal da natureza para surgirem.
As Matas Ciliares são importantes pelo papel regulador da interação águasolo para o estoque de águas subterrâneas, pelo seu papel de facilitar a infiltração de água no solo. Essa relação também se reflete na vazão das nascentes, pois essa depende das flutuações no volume do lençol freático.
Os danos ambientais nestas áreas de mata ripária começam pelo desflorestamento; em seguida, surge o processo de erosão do solo, o assoreamento dos cursos d’água, que vão destruindo a vida aquática. Outro fator negativamente marcante é quando existem populações ao redor que depositam os seus lixos nos cursos d’água e o mal ainda maior, quando existem indústrias que lançam seus resíduos industriais, contaminando todo o curso d’água, extinguindo o oxigênio, logo, extinguindo a vida ali antes existente.  
Figura 1. – Zona ripária com Ecossistema em Equilíbrio

Fonte: Motta et al, 2007:05
Por isso, muitas vezes as ações de intervenção humana para recuperação do solo, quanto a sua fertilidade para restabelecer as condições adequadas para a implantação da vegetação ou revegetação, consiste em isolar a área perturbada e/ou degradada com a construção de cercas para obter eficiência no projeto de restauração do solo.
 As nascentes, cursos d’água e represas, embora distintos entre si por várias particularidades quanto às estratégias de preservação, apresentam pontos básicos comuns para o controle da erosão do solo por meio de estruturas físicas e barreiras vegetais de contenção, minimização de contaminação de perdas de água por evaporação e consumo pelas plantas. (SMA, N°1, 2014:6)

A raiz da planta é o órgão vital, dentre outros, tem a função de sustentação e seu sistema radicular, que são órgãos especializados em fixação, absorção, reservas, condução da água e outros nutrientes, mas a grande massa de raízes de nutrição se encontra nos metros mais próximos à superfície do solo. É de vital importância à relação entre as plantas e suas raízes e o solo; a relação de interdependência da parte da árvore são as raízes, responsáveis por transportar os nutrientes através da água, que afetam e modificam o crescimento da planta.
Há também fatores que contribuem para a diminuição do sistema radicular, enfraquecendo a planta, que começa pela significativa redução de água no solo e consequentemente nutrientes, causando severas restrições ao desenvolvimento da planta.
No que diz respeito à mata ciliar, a legislação do Código Florestal anterior determinou que a cada forma de surgimento d’água, haja uma quantidade de metros mínimos  para que a natureza produza água, como vemos:
Figura 2. – Esquema de metragens de um rio para recuperação de Mata Ciliar
Fonte: Motta et al, 2007:7
O esquema apresentado na figura 2 está mantido no Novo Código Florestal, somente para às áreas consolidadas[2] e nas devidas metragens mínimas, pois só assim é que um sistema natural pode produzir água. Essa relação da planta e a água é uma interdependência que a hidrologia estuda, é o manejo ambiental das microbacias, sendo o foco às águas, uma visão integrada ou ecossistêmica de manejo dos recursos naturais. A bacia hidrográfica é um sistema geomorfológico[3] aberto, que recebe energia através de agentes climáticos e perde através de escoamento.
Para que as funções ambientais continuem contribuindo na produção de água, foram criadas leis específicas para Área de Preservação Permanente – APP´s, no entanto, apenas nas áreas consolidadas é que serão produtoras de água com eficiência, porque nas áreas não consolidadas ficaram com floresta muito reduzida com o Novo Código Florestal[4]. Tais áreas consolidadas são áreas de atividades agrosilvopastoris, de ecoturismo rural, que já existiam em APP´s até 22 julho de 2008, poderão continuar sendo consideradas áreas consolidadas, desde que não estejam em áreas de risco e sejam observados os critérios técnicos de conservação do solo e da água estabelecidos no Programa de Regularização Ambiental–PRA.
Por fim, as áreas não consolidadas são àquelas ocupadas por cultivo agrícola ou de pecuária ou cultivo de floresta comercial, pela lei 8.629/93 da Reforma Agrária; como decidimos por área não consolidada (virtualmente), pois é considerada de média propriedade, compreendida entre 4 a 15 módulos fiscais (em Itanhaém o módulo fiscal é de 10.000m²), e porque acreditamos ser a água essencial para todas as atividades, adotamos que em nossa área serão implantadas as medidas determinadas para áreas consolidadas.



[1] www.ecolnews.org.br
[2]A nossa área objeto de investigação (utilizada de forma virtual como área não consolidada), apesar de ser área rural com desenvolvimento agrícola, que invadiu a área de preservação permanente; tem função ambiental de zona tampão na Unidade de Conservação Permanente do Parque Estadual da Serra do Mar.
[3] As bacias delimitadas pelas formas da superfície, que nas áreas elevadas são delimitadas pelos divisores de água e possui uma drenagem resultante do escoamento das águas pluviais e subterrâneas.
[4] Leis estudadas para elaboração desta TCC na bibliografia.

2. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA EM ESTUDO PARA REFLORESTAMENTO DA MATA CILIAR – TRECHO NA MARGEM DIREITA DO RIO BRANCO, A JUSANTE DA BARRAGEM MAMBU–BRANCO–ITANHAÉM – SP.
“Desperdiçar e destruir os recursos naturais, despojar e exaurir a terra, ao invés de usá-la de modo a aumentar sua utilidade, arruinará a única prosperidade que temos o dever e o direito de legar ampliada e desenvolvida aos nossos filhos.” Theodore Rooseveldt [1]


2.1. Experimentos com Solo da Área de Estudo no Laboratório ETEC
Figura 3. – Localização da Área de Investigação
Fonte: Atlas 2012:15, Imagem Google Earth 02/05/2016 e Fotos da Autora de 04/16
A área em estudo está considerada como não consolidada, apesar do Instituto Nacional de Reforma AgráriaINCRA não fornecer dados por serem sigilosos, assim também acontece com o Novo Sistema Cadastro Ambiental RuralCAR (utilizamos a área de forma virtual).
          Os estudos que foram executados nesta área objeto são de implantação de uma proposta de restauração florestal, em um trecho da margem direita do Rio Branco em Itanhaém–SP. Para tanto, foi investigada as características físico–químicas do solo, em um local com histórico de cultivo agrícola de banana, que invadiu a Área de Preservação Permanente.  Apresentamos as indicações do Instituto Agronômico de Campinas–IAC dos macro e micronutrientes necessários para recuperação do solo, assim como a adubação mineral para o crescimento mais rápido nos primeiros anos.
Figura 4 – Área Objeto de Investigação Demarcado
Fonte: Imagem Google Earth 02/05/2016
Nossa área objeto de investigação, apresentada na figura 4, possui uma topografia plana, localizada na planície costeira, porém, observa–se no entorno imediato feições de relevo acidentado, morros residuais do Planalto Atlântico. Segundo a Resolução Conama n° 417/09, a vegetação próxima da área de estudo é de Floresta Ombrófila Densa, enquadrando–se em Florestas Baixas e Altas de Restinga do Bioma da Mata Atlântica, que após ter sido invadida e desflorestada a mata ciliar, o solo foi ocupado pelo cultivo de banana. A área de estudo tem função ambiental de zona tampão do Parque Estadual da Serra do Mar–PESM. Suas dimensões, segundo imagem do Google Earth de 02/05/2016, são latitude: 24°05’01.91”S e longitude: 46°48’14.52”O, com elevação de 9 metros e altitude do ponto de visão 598 metros.
Demonstraremos as análises que executamos no laboratório da Escola Técnica Estadual–ETEC com a finalidade de apurar granulometria e textura do solo.
Figura 5. – Coleta de Solo
Fonte: Fotos da Autora de 04/16
Na figura 5, apresentamos o solo coletado em nossa área estudada, nas profundidades determinadas pelo Instituto de Agronomia de Campinas – IAC: 1ª. amostra – 0 a 10 cm e 2ª. amostra – 10 a 20 cm.
RESULTADOS: Análise do Solo da Área de Estudo
Na figura 6, vemos os solos da cidade de Itanhaém que foram estudados pelos Técnicos do Instituto Agronômico de Campinas – IAC, e seus estudos encontram–se no Atlas de Itanhaém de 2012.
Figura 6. – Mapa da região de Itanhaém–Solo Predominante na Área de Estudo
Fonte: Atlas de Itanhaém, 2012:22
Vemos na figura 6 a classificação do solo predominante na área de estudo, é Câmbicos, Cambissolos. Utilizando–se a classificação da EMBRAPA, a formação Cambissolos – solo pouco desenvolvido (argila de atividade baixa), entre outras formações: Latossolos – solo altamente evoluído e rico em argilominerais, ferro e alumínio + agrupamentos indiscriminados como, Neosolos e Gleissolos – saturado em água, rico em matéria orgânica. (Atlas Ambiental, 2012:22)
Quanto à análise do solo da área de estudo, realizada pelo Instituto Agronômico de Campinas – IAC em 08/16 verificou–se a necessidade de calagem e adubação, indicação do parecer da análise[2], pois é um solo de natureza pobre e ácido, que possui um pH entre 3,90 a 4,10. Na área de estudo, que tem aproximadamente 11 hectares, será necessário reflorestar aproximadamente 30.900 m² igual a 3,09 hectares. O solo pobre e ácido tem a necessidade de aplicação de calagem para neutralizar a acidez e “...aumentar  disponibilidade  nutrientes, diminuir tóxicos, melhorar o ambiente radicular e restaurar a capacidade produtiva do solo.” (Tavares et.al., 2008:50)
       Análise Indireta: Teste do Vidro
       Figura 7. – Experimento com Solo das Amostras

                 Fonte: Fotos da Autora 09/16 e Carta de Munssell
Os experimentos do teste de vidro na 1ª. amostra, identificou o solo com as seguintes características: altura: – 2,5cm solo grãos (granulares), 2cm de solo fino e solo muito fino 2mm, 6,5 cm de água e matéria orgânica em suspensão. Na 2ª. amostra, as características: altura: – 3,5 cm solo grãos (granulares), 1,5 cm de solo fino e 2mm de solo muito fino, 7,5 cm de água e muito mais matéria orgânica em suspensão. Segundo a Carta de Mussell (na montagem de fotos), destacam–se as colorações de características câmbicos e cambissolos distróficos.  
Dos tipos de solos sabemos que “o solo é constituído de partículas minerais de diferentes tamanhos, chamadas de frações granulométricas. A textura do solo consiste na proporção relativa das frações granulométricas existentes em um solo. Ou seja, o quanto se tem de areia, silte e argila em uma amostra de solo.“ (Tavares et.al., 2008:23)
Para tanto, realizamos a análise de sedimentação:
Tabela 1. Análise de Sedimentação
Fonte: Da própria Autora 12/16
Classificação Textural
Figura 8. – Triângulo de Grupamento Textural

Fonte: Santos et. al., 2005:19
E através da análise de sedimentos pudemos encontrar a classificação textural com os dados em %, com os quais construímos o ponto de encontro na pirâmide textural, o resultado demonstrado na figura 8, classificou as amostragens de solo de textura média.
Determinação Granulométrica do Solo
Sabemos que o solo é composto de camadas formadas de partículas de diversos diâmetros, espessuras e pesos, no processo de peneiramento utilizamos peneiros de inox e em nosso experimento empregamos os que medem de 20µm a 2mm. O ensaio de granulometria é utilizado para determinar percentagem em peso das frações granulométricas dos solos, caracterizando o tipo de solo existente na área objeto de investigação. (LEB)(DIAS)(KOVOLSKI)
               Tabela 2. Peneiramento do solo
                  Fonte: Da própria Autora 09/16
Análise Gráfica dos Dados de Granulometria
O objetivo desta análise gráfica da 1ª amostra é obter a curva granulométrica de um solo, com a finalidade de verificar diâmetro e peso das partículas de cada fração correspondente ao solo analisado. Segundo a escala da Embrapa, a amostra é constituída por partículas de 2mm a 20 µm da classe areia. Temos um solo fino e com partículas de origem rochosa numa quantidade significativa e em nosso estudo empírico, a maior concentração de partículas é com dimensão de 63µm de solo fino e peso de 30,38 gramas.
            Gráfico 1. Assimetria Positiva da Análise Granulométrica da 1ª. amostra
                 Fonte: Da própria Autora 09/16
Como vemos o comportamento da curva é de assimetria alongada para direita, logo demonstra assimetria positiva, em porção estudada de 100 gramas, em três volumes de sedimentos se destacam com dimensões muito pequenas, partículas muito finas, e as partículas de dimensão inferior que tem esse valor positivo.[3] “... amostras com esferas de 63μm e mais de 1g de peso revelam elevada acurácia[4], devido à interação das partículas ao sedimentarem.” (Dias, 2004:20) Por fim, o solo é elementos minerais, matérias orgânicas, sedimentos e outros materiais, que por milênios vão se deteriorando e solidificando e se transformando e formando regiões, e assim podemos descobrir do que é formado através de análise do solo. (Kolvoski, 2008)(Dias, 2004).
           Gráfico 2. Simetria na Análise Granulométrica da 2ª. amostra
               Fonte: Da própria Autora 09/16
A 2ª. amostra é constituída por partículas de 2mm a 20 µm da classe areia. Temos um solo fino e com partículas de origem rochosa em quantidades significativas e em nosso estudo empírico, repete–se na 2ª amostra, a maior concentração de partículas com dimensão de 63µm de solo fino e peso de 42,35 gramas.
Quanto ao comportamento da curva é praticamente simétrico, com pequeno alongamento à direita, logo é positivo como na 1ª. amostra, que indica na porção estudada de 100 gramas que há uma quantidade mais elevada de sedimentos com dimensões de partículas muito mais finas. (kovolski, 2008)(Dias, 2004).
Teor de Umidade
           Tabela 3.Averiguação Teor de Umidade %
                Fonte: Da própria Autora 09/16
Quanto à averiguação do teor de umidade a diferença é praticamente insignificante de 2% nas porções analisadas, variando apenas a profundidade no ato de coleta.
Análise Granulométrica – Táctil–Visual (tamanho, cor, brilho e tato)
Figura 9. – Experimento com Solo: Teste Táctil Visual
             Fonte: Foto da Autora 09/16
Na figura 9, a análise do solo nesse teste permitiu apreender o que o tornou leve como talco, de tonalidade clara e quanto ao tato percebeu–se pó sedoso com micros grânulos e bastante brilhoso, devido aos sedimentos. O processo de peneiramento destacou as maiores quantidades, numa porção de 100 gramas, de cada amostra analisada. Na 1ª. amostra, a medida 63 μm com 30,38 gramas e na 2ª. amostra, a medida 63 μm com 42,35 gramas.
Figura 10. – Experimento com Solo: Classificação Textural

Fonte: Foto da Autora 09/16
Quanto à figura 10, a análise é bem subjetiva da textura, porque é por meio da sensação, e o experimento comprovou que quando seco, após passar pelo processo de peneiramento, tem–se a sensação de sedosidade e leveza do talco e quando molhado, é modelável e pegajoso como a argila.
Em nossos experimentos, verificamos a importância de se fazer análise do solo, pois somente dessa forma são obtidas informações do que o solo é composto e do que o solo tem deficiência, seja macro ou micronutrientes, matéria orgânica entre outras informações, para que se recomponha e a análise é instrumento para auxiliar o produtor rural no aumento da lucratividade agrícola ou florestal e restabelecer a fertilidade do solo, caso seja necessário aplicação de adubos químicos e/ou orgânicos.
Ao mesmo tempo, é indispensável avaliar o uso do solo em função das suas potencialidades e limitações ecológicas, tendo-se como referência a sustentabilidade dos recursos naturais. No caso das florestas, as iniciativas de preservação, recuperação ou uso sustentado devem contribuir para a conservação dos recursos hídricos, sob a ótica da gestão integrada da microbacia, da sub-bacia e finalmente da bacia hidrográfica como um todo. (Lino & Dias, 2003:18)
Lembramos que as análises de solo são rápidas e de baixo custo, devem ser feitas entre 2 a 4 anos ou num prazo de tempo mais curto, se houver recomendação de um profissional e as análises de solo são interpretadas, via de regra, por profissionais como Engenheiros Agrônomos, Engenheiros Florestais e Zootecnistas. (Watanabe et. al.,2002)
2.2. Análise química do solo de nossa área de estudo
Pelo Laboratório do Instituto Agronômico de Campinas IAC
Figura 11. – Área de Estudo Demarcada com Metragem para Reflorestamento 
Fonte: Imagem Google Earth 02/05/2016
Na figura 11 demonstramos a demarcação da área objeto de investigação onde executaremos o reflorestamento e com medidas estimadas que perfazem 3,09 ha. Para tanto, a primeira etapa de trabalho com o solo é o calcário; informamos que o Parecer do IAC esclarece que o balanço nutricional não foi elaborado por não justificar–se tecnicamente. Quanto ao calcário:
 [...]a incorporação do calcário ao solo, mediante revolvimento com arações e gradagens, altera as características físicas do solo, diminuindo a porosidade, a distribuição de tamanho e a estabilidade dos agregados, além de destruir os canais resultantes do crescimento radicular e da atividade biológica, o que prejudica a infiltração de água, aumentando o escorrimento superficial e facilitando a erosão....corretivos com qualidade baixa são em geral mais baratos, mas em compensação, devem ser usados em quantidades maiores para corrigir a acidez dos solos. (Tavares et.al., 2008:51)
 A indicação sobre o calcário no parecer do IAC informa que a prática da calagem encarece muito a atividade de reflorestamento; no entanto, sendo empregado recomenda–se aplicação a lanço, sendo necessários 2 t/ha, aplicando–se somente em solos muito degradados e deve–se aplicar 30 dias antes do início de plantio. Em nossa área de estudos, que se encontra perturbada, a equipe multidisciplinar é quem vai determinar a quantidade a ser aplicada e de que maneira aplicar.
Adubação Mineral
Quanto às demais recomendações do Instituto Agronômico de Campinas – IAC após a calagem, a segunda etapa é a adubação mineral, que deve ser aplicada nos regos. Estes insumos têm a grandeza Kg/ha[5], logo, indicamos o total para os 3,09 hectares de reflorestamento:
Fonte: Parecer de Adubação Mineral do IAC; (*)formulação calculada como ideal 20–00–15+1% de B + 1% Zn.
O Eng. Agrônomo Wilson A. Contieri, do Instituto Florestal de São Paulo, colaborou nesta TCC com os cálculos da adubação química do solo:
Os cálculos foram feitos considerando que cada muda plantada (uma cova) demanda 0,200 g de fertilizante NPK. Considerando que em um hectare sejam plantadas 2.500 mudas o total de fertilizante a ser aplicado em um hectare deve ser obtido pela multiplicação, conforme: 2.500 mudas (covas) x 0,200 g de fertilizante = 500 kg de fertilizante NPK.
            O Eng. Wilson instrui:
Na pratica as dosagens de NPK variam de 150 a 200 gramas por cova, a adubação de florestas nativas tem como objetivo propiciar um desenvolvimento inicial mais rápido para que as espécies florestais plantadas passem pelo filtro da concorrência com as plantas daninhas ou ruderais, não é como na agricultura onde temos uma meta de produtividade que pretendemos atingir.
Para completar a adubação de nossa área de estudos, a terceira etapa é a adubação mineral de cobertura, que deve ser executada entre 3 a 6 meses após o plantio, na forma de filetes contínuos ao redor da projeção das copas ou no meio do espaçamento entre linhas de plantios. As aplicações devem coincidir com as chuvas mais intensas; devem–se utilizar insumos simples.
           Tabela 5. – Dados do Instituto Agronômico de Campinas. Formulação para ser aplicada após 3 e 6 meses.
                Fonte: Parecer de Adubação Mineral do IAC.
Na última observação da análise do IAC, não foi possível verificar a necessidade de aplicar ao solo – gessagem[6] –, porque a 2ª. amostra de 10 a 20 cm sub–superfície não acusou argila no solo.
Complementando as orientações sobre adubação mineral para área estudada, o Eng. Wilson nos cálculos que elaborou, segundo o parecer da análise do solo do IAC, estabeleceu que para 3,09 hectares x 500 kg de fertilizante = 1.545 kg de fertilizante NPK, que serão distribuídos nas porções de 0,200 g por cova, como é recomendado.
Segundo Prof. Dr. Venâncio da UFV, sobre restauração de áreas perturbadas ou degradadas recomenda–se quantidades: “de aplicação entre 150g a 200 g de NPK 4–14–8 ou 100g de NPK 6–30–6, mais 2 litros de esterco de curral curtido ou de galinha curtido, por cova, de forma generalizada.” (Venâncio, 2010:116)
Buscamos mais informações com Prof. Dr. Venâncio da UFV, que nos instruiu:
[...] que a adubação varia em função da fertilidade do solo. A mais tradicional é NPK 4-14-8, mais hoje se tem usado outras formulações como NPK 6-30-6 ou ainda, NPK 10-30-10 e, ainda Fertilizantes de Liberação Controlada da linha Basacote Plus que busca eficiência nutricional, otimização de operações e segurança de aplicação e, Basacote Mini que busca eficiência nutricional para aplicação em estufas e viveiros e Fosfato reativo entre outros, nas proporções já indicadas em suas publicações.
No mesmo sentido de trabalho do Prof. Dr. Venâncio, a equipe do Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal – LERF, executou adubação de base na área – num experimento no município de Campinas – SP, que aplicaram medidas de fertilizantes na proporção de 200 g por cova, NPK 6–30–6 (ou outro equivalente com elevado teor de Fósforo (P)), a indicação é similar, em referência a quantidade ao do Prof. Dr. Venâncio e adubação orgânica é a mesma. (Rodrigues & Bracalion & Isernhagem, 2009:200/201)
Com os mesmos procedimentos do Prof. Dr. Venâncio e do LERF, a equipe do Departamento de Proteção da Biodiversidade do Projeto de Recuperação de Matas Ciliares da Secretaria do Meio Ambiente tem a prática:
[...] adubação realizada nas covas que pode ser orgânica, empregando-se 6 litros de esterco de curral curtido, ou 3 litros de esterco curtido de galinha, por cova, ou adubação química, misturando na terra da cova a fórmula NPK 4-14-8 ou outra fórmula comercial disponível, na quantidade de 200 g por cova. Deve-se misturar o adubo químico e/ou o orgânico com a parte de cima do solo retirado da cova, colocando essa mistura no fundo e completando com o restante do solo. Adubação de cobertura: após 90 dias do plantio, a adubação de cobertura distribuindo-se a lanço o adubo químico em torno da planta, evitando-se a distância de 20 centímetros ao redor da muda. Pode ser usada a formulação NPK (20-00-20), aplicando-se 200 g por planta. (SMA,N°1, 2009:17)
Concluímos que durante o período do projeto, a área reflorestada receberá monitoramento para que a revegetação pioneira, secundária inicial e tardia e por último, as espécies clímax, passando a ser Floresta de Conservação e Perpétuas, pelos serviços ambientais que prestam. Dessa maneira, em alguns anos, a Mata Ciliar recuperada devolverá a estrutura e função do ecossistema.
Os especialistas que estudamos e consultamos tem em suas análises proximidade uma das outras, no que refere ao NPK em variadas formulações, e muitas vezes utilizam produtos importados como Osmocote e Basacote, que são adubos importados de liberação controlada, com variações de NPK liberando em 3, 6, 9 e até 12 meses. Enfim, os especialistas permanecem no consenso de crescimento mais rápido da floresta nos primeiros anos, favorecendo o sequestro de carbono.
             Certamente em nossa área, num prazo estimado de 3 a 6 meses, dependendo da formulação adotada, o solo terá absorvido os nutrientes adicionados e desta forma o solo restaurado terá a vegetação ali plantada tonificada, podendo desenvolver–se de maneira sustentável e no período de monitoramento receberão outras quantias de nutrientes e fertilizantes que garantirão a formação de uma Mata Ciliar.
Adotamos, por convicção, o reflorestamento com metragens mantidas no Novo Código Florestal para área consolidada, mesmo sendo nossa área não consolidada, pois somente assim terá capacidade de produzir água com eficiência, tanto superficial como subterrânea, e que na evapotranspiração formam rios que voam, como especialistas já comprovaram.
            E, apesar de economicamente a atividade de reflorestamento tornar–se mais cara, devido à aplicação de calcário, é imprescindível a revitalização do solo com adubação orgânica ou química, para obter–se uma durabilidade de nutrição para vegetação. Por isso, a proposta é viável, pelo futuro retorno ambiental que a floresta proporcionará, produzindo água, resgatando o gás carbônico, formando cadeia alimentar da fauna terrestre e aquática, reequilibrando o ecossistema; enfim, desenvolvimento sustentável é retorno certo e duradouro!



[1] fotos da autora e do orientador de TCC 04/16.
[2] parecer acompanha a TCC como anexo.
[3] há estudos executados sobre a formação do município que identificaram muitos outros sedimentos.
[4] proximidade entre o valor obtido experimentalmente e o valor verdadeiro na medição de uma grandeza física; precisão de uma tabela ou de uma operação.
[5] recomendações NPK em dose de adubo:” Um produtor rural recebeu o resultado da análise de solo que indicava uma adubação de 10 kg N/ha; 40 kg P/ha e 30 kg K/ha. O produtor rural não soube decifrar as quantidades de sulfato de amônio, supertriplo e cloreto de potássio. Os elementos estão na forma elementar.”(Braga,2014)
[6] gessagem é uma técnica de aplicação de cálcio e enxofre para melhorar o ambiente em superfície para solos salinos e sódicos, é um corretivo para o solo, que promove a neutralização da acidez.
2.3. Análise de Água da Área de Estudo – pelo Laboratório da UNESP – Rio Claro – São Paulo
Verificamos, segundo a Resolução Conama n° 357/2005, sobre a classificação das águas do Brasil e selecionamos somente texto que o Rio Branco se enquadra, entendese:    
Dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências.
Considerando o Art. 9°, inciso I, da Lei no 9.433, de 8 de janeiro de 1997, que instituiu a Politica Nacional dos Recursos Hídricos e demais normas aplicáveis a matéria;
Considerando que a saúde e o bemestar humano, bem como o equilíbrio ecológico aquático, não devem ser afetados pela deterioração da qualidade das águas;
CAPITULO I DAS DEFINIÇÕES
Art. 2º. Para efeito desta Resolução são adotadas as seguintes definições:
I águas doces: águas com salinidade igual ou inferior a 0,5 ‰;
IX classe de qualidade: conjunto de condições e padrões de qualidade de água necessários ao atendimento dos usos preponderantes, atuais ou futuros;
XX enquadramento: estabelecimento da meta ou objetivo de qualidade da água (classe) a ser, obrigatoriamente, alcançado ou mantido em um segmento de corpo de água, de acordo com os usos preponderantes pretendidos, ao longo do tempo;
XXVII parâmetro de qualidade da água: substancias ou outros indicadores representativos da qualidade da água;
CAPITULO II DA CLASSIFICAÇÃO DOS CORPOS DE ÁGUA
Seção I Das Águas Doces
Art. 4°. As águas doces são classificadas em:
I  classe especial: águas destinadas:
a)       ao abastecimento para consumo humano, com desinfecção;
b)       a preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas; e
c)       a preservação dos ambientes aquáticos em unidades de conservação de proteção integral;
II  classe 1: águas que podem ser destinadas:
a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento simplificado;
b) a proteção das comunidades aquáticas;
d) a irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas que se desenvolvam rentes ao solo e que sejam ingeridas cruas sem remoção de película; e
III  classe 2: águas que podem ser destinadas:
a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento convencional;
b) a proteção das comunidades aquáticas;
d) a irrigação de hortaliças, plantas frutíferas e de parques, jardins, campos de
 esporte e lazer, com os quais o público possa vir a ter contato direto;
IV  classe 3: águas que podem ser destinadas:
a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento convencional ou avançado;
b) a irrigação de culturas arbóreas, cerealíferas e forrageiras;
d)       a dessedentarão de animais;
V  classe 4: águas que podem ser destinadas
b) a harmonia paisagística;
CAPITULO III DAS CONDIÇÕES E PADRÕES DE QUALIDADE DAS ÁGUAS
Seção I Das Disposições Gerais
Art. 7°. Os padrões de qualidade das águas determinados nesta Resolução estabelecem limites individuais para cada substância em cada classe.
Art. 8°. O conjunto de parâmetros de qualidade de água selecionado para subsidiar a proposta de enquadramento deverá ser monitorado periodicamente pelo Poder Público.
Consideradas:
Art. 10°. Os valores máximos estabelecidos para os parâmetros relacionados em cada uma das classes de enquadramento deverão ser obedecidos nas condições de vazão de referencia.
§ 1° Os limites de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), estabelecidos para as aguas doces de classes, 2 e 3, poderão ser elevados, caso o estudo da capacidade de autodepuração do corpo receptor demonstre que as concentrações mínimas de oxigênio dissolvido (OD) previstas não serão desobedecidas, nas condições de vazão de referencia, com exceção da zona de mistura;
§ 3° Para aguas doces de classes 1 e 2, quando o nitrogênio for fator limitante para eutrofização, nas condições estabelecidas pelo órgão ambiental competente, o valor de nitrogênio total (após oxidação) não devera ultrapassar 1,27 mg/L para ambientes lenticos e 2,18 mg/L para ambientes lóticos, na vazão de referencia.

2.3.1    Como as Análises físico-químicas da água colaboram na interação com a Mata Ciliar – Tripé: Água x Solo x Floresta.
Como as águas de um rio, as águas do Rio Branco se classificam por água doce e enquadra–se nas classes: especial, classe 1, classe 2, classe 3 e classe 4 descritas na Classificação dos Corpos de Águas da Resolução Conama n° 357/2005. 
Figura 12. – Local de Coleta do Solo e Local de Coleta da Água 
Fonte: Imagem Google Earth 02/05/2016

Na figura 12 mostramos a localização, muito próxima de nosso ponto de coleta de solo, onde o Prof. Dr. Antonio Camargo faz coletas das águas do Rio Branco, para levar à UNESP, onde são desenvolvidas suas pesquisas e tais analises físico–químicas foram cedidas para o desenvolvimento deste trabalho.
O Prof. Dr. Venâncio–UFV tem comentários do seu livro Mata Ciliar na página do Ambiente Brasil, que trata sobre o ecossistema aquático, para conhecimentos básicos de indicadores e bioindicadores, que se agrupam em espécies que vivem em rios, ribeirões, riachos, lago, lagoas e represas,” ...há vários estudos que propõem um conjunto de indicadores de avaliação da recuperação e da sustentabilidade dos projetos de restauração e/ou manejo das florestas...”.
As matas ciliares funcionam como filtros, retendo defensivos agrícolas, poluentes e sedimentos que seriam transportados para os cursos d’água, afetando diretamente a quantidade e a qualidade da água e consequentemente a fauna aquática e a população humana.
A importância da vegetação ripária é ímpar, regula a temperatura da água e é parte da cadeia alimentar com frutos, flores, folhas, galhos aos vertebrados, invertebrados e insetos dos cursos d’água e que multiplica a biodiversidade.
Nas pesquisas desenvolvidas por Pagotto & Palhiarini (P&P), a vegetação ripária influência intensamente e há absoluto consenso que:
[...] para maior disponibilidade e qualidade dos recursos hídricos é necessário à preservação dos ecossistemas florestais ripários, pois, graças a eles, as águas das chuvas podem ser absorvidas e liberadas lentamente para os cursos d’água. Neste sentido, o conhecimento da relação entre as florestas e as águas tem crescido substancialmente com os avanços da ciência e tecnologia, de modo que novas estratégias de conservação têm sido propostas, a fim de reduzir seu intenso desmatamento. (P&P, 2015:67)
Acrescenta ainda:
[...] a vegetação ripária possui relevância ecológica na preservação da biodiversidade aquática e terrestre, uma vez que o material oriundo de sua biomassa é importante para o crescimento de insetos aquáticos e fonte de energia para cadeia alimentar do ambiente terrestre circundante. (P&P, 2015:67)
Diante da importância da vegetação ribeirinha e sua interação com o curso d’água, elaboramos estudos das análises das águas do Rio Branco realizadas pelo Prof. Dr. Antônio Camargo e estudamos somente os dados da margem direita do curso do Rio Branco, pelo fato do trecho estar próximo ao local de coleta do solo. As análises[1] são realizadas no laboratório da UNESP – Rio Claro e verificamos os parâmetros de análise físico–química, para demonstrarmos as características físico–químicas em interação com as águas do Rio Branco no trecho próximo da área de estudo.
Caso os índices não estiverem em interação, afetarão as comunidades biológicas dos vertebrados, invertebrados e insetos aquáticos que refletem a integridade ecológica dos ecossistemas e “no que diz respeito à alteração da qualidade da água, os sedimentos que são transportados para dentro dos corpos d’água modificam a turbidez e o oxigênio dissolvido, e isso afeta as fases de desenvolvimento dos peixes.”(P&P, 2015:70)
Quanto às águas do Rio Branco, são estudadas pelo Prof. Dr. Antônio Camargo desde maio/13 e nos cedeu dados até a coleta em fevereiro/16. Em nosso estudo a seguir, determinamos siglas: Média do Índice=M.I.,Maior Índice do período=>I., Menor Índice do período=<I. e, Última Coleta=U.C. Um curso d’água influencia intensamente na diversidade de espécies por fatores, tais como:
Caractéristicas Físicas do Rio Branco & Comentários:
Temperatura:M.I.=22,14°,>I.=29,61°(02/14),<I.=18,8°(08/14) e,U.C.=22,64°(02/16)
A temperatura está relacionada com o aumento do consumo de oxigênio e com a mudança do pH, entre outros fatores. O aumento da temperatura da água diminui o oxigênio dissolvido na água, o que pode trazer mortandade da vida aquática. A temperatura é manutenção da vida aquática. O desflorestamento da mata ciliar influência acentuadamente na temperatura da água, pois além da vegetação oferecer proteção das irradiações solares, a própria floresta é parte de a cadeia alimentar dos rios. “Os ambientes aquáticos brasileiros apresentam, em geral, temperaturas na faixa de 20ºC a 30ºC.” (FUNASA, 2014:18). E no trabalho de Almeida da FATEC de Jaú, sugere temperatura inferior a 40°. Nossos dados se enquadram em ambos os estudos.
Condutividade:M.I.=0,29μs/cm,>I.=0,49μs/cm(11/14),U.C. e <I.=0,21μs/cm(02/16)
Quando a condutividade estiver acima de 100 μs/cm, a água sofreu impactos indesejáveis, nossos índices estão quase insignificantes.

 [...] além da temperatura, o pH da amostra pode ter grande influência sobre os valores da condutividade elétrica, especialmente em águas pobres em sais solúveis e de baixos valores de pH (< 5), os cátions e ânions tem correlação direta com a temperatura. Assim a condutividade também fornece uma boa indicação das modificações na composição da água, especialmente na sua concentração mineral, mas não fornece nenhuma indicação das quantidades relativas dos vários componentes. (Araújo et. al., XVII Simpósio:4)
Turbidez (UNT):M.I=11,30,>I.=24,4(02/15),<I.=1(05/13),e U.C.=12,4(02/16). Na Classe 1 até 100 UNT da Resolução CONAMA n° 357/05.
A turbidez é causada pela presença de materiais em suspensão e é alterada devido à devastação das matas ciliares, do assoreamento e da erosão das margens. “Águas turvas impedem a luz solar de penetrar e desfavorece a fotossíntese da vegetação aquática, a alteração na qualidade da água se dá através do aumento da turbidez e das partículas em suspensão como bactérias, argilas e siltes e da vazão de base.” (Almeida, Slide:13) Nossos dados estão bem abaixo do limite da resolução.
Cor Natural: A determinação da cor é feita por comparação visual, é o teor de matéria orgânica ou inorgânica existente. A informação que recebemos do Prof. Dr. Antônio Camargo da UNESP Rio Claro é: “A água do Rio Branco sempre foi barrenta, por isto ele se chama Branco. Esta característica é natural e, se deve ao tipo de solo que Rio Branco drena que é rico em argilas.” E na Resolução CONAMA n° 357/05 Classe 2 tem limite de até 75 U.C.(unidade de cor), “sendo cor 15 uH o valor máximo aceitável para a cor da água potável.” (FUNASA, 2013:58)
Sólidos Suspensos (sedimentos): são partículas diversas, sedimentos ou não sedimentos e que pode ser separado por filtração, um dos motivos pode ser assoreamento que é o aumento de sedimentos que se deve a falta de filtração, significando também ausência de borda de floresta.
Caractéristicas Químicas do Rio Branco & Comentários


pH:M.I.=6,15, >I.=6,90(11/14),<I.5,21(02/16) e, U.C.5,21(02/16)

O pH é uma das determinações de qualidade de água mais frequentemente executada, apresentando a acidez ou a basicidade das águas . O pH nas águas doces tem valores permitidos de 6 a 9. O índice abaixo de 7 a água é considerada ácida e acima de 7 é alcalina. Água com pH 7 é neutra. (Almeida, slide:24).
A margem direita do Rio Branco está com água ácida, “pH < 4,5 – acidez por ácidos minerais fortes.” (FUNASA,2014:21)

Nitrogênio Total (mg/L):M.I.=0,33,>I.=0,70(02/14),<I.0,14(08/15)e,U.C.=0,34(02/16)
Segundo a Resolução Conama n° 357/05 – Classe 1, quando 3,7 mg/L N, para pH  ≤ 7,5 e, quando 2,0 mg/L N, para 7,5 < pH ≤ 8,0 e, quando 1,0 mg/L N, para 8,0 < pH ≤ 8,5 e, quando 0,5 mg/L N, para pH > 8,5. A nitrificação é o processo de conversão da amônia em nitratos, decomposição ou amonificação e é realizado por bactérias e fungos, processo pelo qual o nitrogênio circula através das plantas e do solo pela ação de organismos vivos. O nitrogênio é essencial para o crescimento de todos os seres vivos.
§ 3o Para águas doces de classes 1 e 2, quando o nitrogênio for fator limitante para eutrofização, nas condições estabelecidas pelo órgão ambiental competente, o valor de nitrogênio total (após oxidação) não deverá ultrapassar 1,27 mg/L para ambientes lenticos e 2,18 mg/L para ambientes lóticos, na vazão de referencia.(CONAMA 357)
NH³ Amonia (mg/L):M.I.=4,61,>I.=21,94(11/13),<I.=0(05/14)e,U.C.=4,17(02/16).
“Amônia (N–NH3): elemento tóxico e prejudicial à saúde humana, sua presença na água pode ser resultado de intensa atividade microbiológica devido à poluição orgânica ou contaminação química, mas o valor aceitável de N–NH3 para utilização e abastecimento humano, após tratamento, é de até 2 mg/L em pH entre 7,5 e 8” (Resolução CONAMA n° 357/05 – Classe 2) (Equipe Águas de Piracicaba).
NO² Nitrito (mg/L):M.I.=2,08,>I.=4,26(02/16),>I.=0(11/14)e,U.C.=4,26(02/16). “Valor máximo Nitrito 1,0 mg/L N.”(Resolução CONAMA n° 357/05 – Classe 1)
NO³Nitrato (µg/L):M.I.=109,0;>I.394,0(02/15),<I=11,90(05/14) e,U.C.47,14(02/16). “Valor máximo Nitrato 10,0 mg/L N.” (Resolução CONAMA n° 357/05 – Classe 1)
Oxigênio Dissolvido(mg/L)OD:M.I.=7,68,>I.=12,09(11/14),U.C. e <I.=2,68(02/16)
O menor índice é de 2,68 em 02/16 e na Resolução CONAMA n° 357/05 nos corpos d’água classe 2: OD ≥ 5,0 mg O²/L, Corpos d’ água classe 4: OD ≥ 2,0 mg O²/L, e o menor índice está muito próximo da classe 4. Segundo Araújo et.al. o oxigênio dissolvido é de importância vital para os seres aquáticos aeróbios, mantendo o equilíbrio da vida aquática. Um rio considerado limpo, em condições normais, apresenta normalmente valores de OD de 8 a 10 mg/L. “Para a manutenção da vida aquática aeróbica são necessários teores mínimos de oxigênio dissolvido de 2 mg/L a 5 mg/L.” (FUNASA, 2014:25). Nosso índice médio está bem elevado.
O oxigênio dissolvido é proteção da vida aquática e o principal parâmetro. O nível de OD em águas naturais é com frequência, uma indicação direta de qualidade uma vez que as plantas aquáticas produzem oxigênio, enquanto microorganismos geralmente o consomem.
PT (mg/L):M.I.=26,51,>I.=65,7(05/15),<I.=14,97(08/13)e,U.C.=62,08(02/16). O fósforo é essencial ao crescimento de todos os seres vivos.“O valor de P–total aceitável para abastecimento humano,após tratamento,é de até 0,05 mg/L.” (Resolução CONAMA  n° 357/05–classe 2). Nosso índice médio está bem elevado.
PO4 Fósforo Total (mg/L):M.I.=2,11,>I.=5,79(08/14),<I.=0(05/15), e se repetindo 02/15 e, 11/14 e, 05/14 e, 11/13 e, U.C.=1,68(02/16), “P < 0,01–0,02 mg/L = não eutrófico, P entre 0,02–0,05 = estágio intermediário, P > 0,05 mg/L = eutrófico” (Araújo et. al., XVII Simpósio:8).“Fósforo total (ambiente lótico e tributários de ambientes intermediários) 0,1 mg/L P.” (Resolução CONAMA n° 357/05 – classe 1)
Fósforo total (P–total): é importante nutriente dos seres vivos, porém sua concentração é altamente influenciada pelo esgoto doméstico e industrial e pela usual técnica de adubação do solo. “O valor de P–total aceitável para abastecimento humano, após tratamento, é de até 0,05 mg/L.” (Resolução CONAMA n° 357/05 –  Classe 2).Nosso índice médio está bem elevado.
A presença de fósforo na água está relacionada a processos naturais (dissolução de rochas, carreamento do solo, decomposição de matéria orgânica, chuva) ou ações antropogênicas (lançamento de esgotos, detergentes, fertilizantes, pesticidas). “Em águas naturais não poluídas, as concentrações de fósforo situam–se na faixa de 0,01 mg/L a 0,05 mg/L.” (FUNASA, 2014:23)
Salinidade (ppt): A salinidade é a medida dos teores de sais dissolvidos na água e, das análises, até a última coleta, foram sempre 0 (zero). Segundo Resolução Conama n° 357 da classificação de águas: I águas doces: águas com salinidade igual ou inferior a 0,5 ‰;
O intuito de apresentar as variações, elevações ou desestabilização dos índices no sistema lótico, é porque o ecossistema é todo interligado, é para demonstrar que a ausência da Mata Ciliar facilita o escorrimento da adubação química depositada no solo e em especial, fósforo e nitrogênio e seus derivados, e que os resultados das análises denotam maior elevação. O desflorestamento da mata ciliar com a invasão da Área Preservação Permanente e ocupação pela agricultura favorecem o escoamento dos fertilizantes para os rios porque são drenados através do solo e gradativamente afetam a vida aquática. Lembramos que as matas beiradeiras, entre inúmeras funções ambientais das florestas, têm a função de filtragem dos elementos (é claro que até a capacidade natural da floresta), o que evita danos à vida aquática.
Para compreendermos melhor, o planeta Terra, que é um imenso organismo vivo, repleto de outros pequenos, médios e grandes seres vivos, em estágios de evolução diferentes no mesmo planeta em ecossistemas diferentes, que existem há milênios e que centenas destes seres vivos milenares, existem nos ecossistemas e tem interligações de alta complexidade desde a formação do planeta, que começaram a surgir diminutos microorganismos que atuam na proliferação e transformação e decomposição da matéria, que se tornam nutrientes e energia para o solo, para as plantas que absorvem através das raízes e para uma infinidade de bactérias, fungos, protozoários entre outros microorganismos componentes de um ecossistema, sejam eles produtores, consumidores ou decompositores e liberam para a atmosfera o gás carbônico (CO2), quanto ao restante passa compor a matéria orgânica do solo.
As plantas no solo ou na água exercem suas funções principais através de um processo denominado fotossíntese. Portanto, a fotossíntese é o único processo de entrada de energia em um ecossistema. Nos estudos de Araújo et al. os nutrientes são importantes para avaliação da qualidade da água, pois estão intimamente ligadas à produtividade aquática.
Há interferência entre os elementos físico–químicos durante todo o dia, como explica Araújo et. al.:
O pH em rios flutua consideravelmente com a hora do dia e com a profundidade e está relacionado com a concentração de CO2. Este, por sua vez, reage com a água produzindo o íon hidrogênio H+. Durante o dia, a remoção de CO2 pela fotossíntese das plantas aquáticas causa elevação do pH, já que ocorre a diminuição da produção do íon H+ devido à pouca quantidade de CO2 presente na água. Desta forma, o pH mais alto geralmente ocorre à tarde. À noite, a fotossíntese cessa, havendo acumulação de CO2 que, ao reagir com a água, libera íons H+, diminuindo o pH. Assim, o menor valor de pH geralmente ocorre perto do amanhecer. A quantidade de luz para a realização da fotossíntese diminui com a profundidade. Desta forma, o pH também tende a declinar com o aumento da profundidade do rio. O pH de um corpo d’água também pode variar com o lançamento de águas de chuva, de esgotos e com a água do lençol freático, pois quanto mais ácido for o solo da bacia, mais ácidas serão as águas deste corpo d’água, refletindo o tipo de solo por onde a água percorre.(Araújo et. al., XVII Simpósio:6)

E ainda esclarece: “O nitrogênio, junto ao fósforo, é considerado um dos elementos mais importantes no metabolismo de ecossistemas aquáticos. Esta importância deve–se principalmente à sua participação na formação de proteínas, um dos componentes básicos da biomassa.” (Araújo et. al., XVII Simpósio:8)
É preciso haver um equilíbrio nos Ciclos Biogeoquímicos, que é o conjunto dos ciclos interno (abaixo do solo) e externos (na atmosfera). Essa cadeia sistêmica, melhor dizendo, essa rede ecossistêmica é absolutamente incopiável, pois os cientistas não conseguem reproduzir, devido às centenas de minuciosos e pequeninos microorganismos como bactérias e fungos entre outros, que associados a gases, solo, elementos químicos naturais, que formam o ciclo biogeoquímico, desenvolvem o ambiente para que haja o ecossistema, formando o vínculo interligado e interdependente e de alta complexidade para que existam as florestas, e em especial as matas ciliares.
Como a energia não pode ser criada nem destruída e, sim, transformada, a Terra é um organismo vivo se transformando a todo instante pelos efeitos da natureza, tais como ciclo da água e ciclo do carbono e ciclo do oxigênio e ciclo do enxofre e ciclo das rochas e ciclo do nitrogênio e ciclo do fósforo e ciclo do cálcio que são matéria orgânica e reservatório de carbono, é um sistema que tem a capacidade de armazenar e trocar carbono com a atmosfera e a participação dos diminutos microorganismos é vital, para biomassa formada por parte viva acima do solo e a biomassa viva abaixo do solo (raízes), assim como a madeira morta, serapilheira e solo.
Figura 13. Ciclos Bioquímicos elaborado pelo LERF
Fonte: Rodrigues et al, 2007:60
Das funções naturais das matas de galeria, que promovem a manutenção do equilíbrio do ecossistema aquático, no que se refere à matéria orgânica e dos nutrientes que entram nesse sistema ribeirinho, também tem a função de evitar o assoreamento dos mananciais, minimizando os efeitos de enchentes, mantendo a quantidade e a qualidade das águas[1], auxiliando na proteção da fauna local.[2]
Quanto à qualidade  ”[...] dos solos podem ser naturalmente ácidos em função da própria pobreza em bases do material de origem, a alte­ração de alguns minerais bem como o uso de alguns fertilizantes podem tornar o solo ácido .” (Antunes et. al, 2009:283) Nesta sequência de troca e interdependência, a água do Rio Branco da margem direita acusa o seu pH ácido, e da análise do solo constatamos que o solo está ácido; logo, os resíduos por escoamento estão se depositando no corpo d’água, já que não há mata ciliar para filtrar em muitos trechos das margens do Rio Branco. Porém, o Prof. Dr. Antônio Camargo observa: “Ambientes com pouco oxigênio e muito nitrogênio e fósforo podem ter causas naturais ou podem ser devido ao lançamento de esgotos. Como não existem lançamentos no Rio Branco, estas características da água são naturais.”
Como se vê, através dos dados analisados, foi possível verificar a importância da vegetação, seja ela matas ripárias ou outras formações de florestas em total interdependência com os ciclos biogequímicos, para que se possam engrenar planejamentos de recuperação de todas matas ausente nos trechos do curso do Rio Branco.
Além de aspectos como área, forma e estrutura de drenagem, é importante conhecer as características hidrológicas, como vazão e qualidade da água. São considerados como principais parâmetros físico-químicos de qualidade a temperatura, pH, turbidez, salinidade, oxigênio dissolvido, teor de matéria orgânica e a concentração de alguns nutrientes, como nitrogênio e fósforo. (Lino,2003:17)

Todos esses parâmetros e muitos outros, variam em resposta às formas de uso da água e do solo na bacia hidrográfica. No que se refere à mata ciliar, ao que se prende essa TCC, lembramos que as bordas de floresta, entre outras funções ambientais, têm no sistema radicular a propriedade de produzir água mais também é filtro natural, e esse filtro evita prejuízos à vida aquática de muitas das atividades antrópicas, no entanto, infelizmente a humanidade ultrapassa a capacidade dos serviços ambientais da natureza.



[1] Planilha anexa com as análises da coleta de água do Rio Branco, dos últimos três anos, realizadas pelo Prof. Dr. Antônio Camargo da UNESP – Rio Claro – SP.
[2] Grifo nosso
[3] Rede de Águas

2.4. Área de Estudo - Espécies Arbóreas Bioma Mata Atlântica – Parque Estadual Serra do Mar
Figura 14 – Área de Estudo Demarcada entorno composto da Floresta Ombrófila Densa
Fonte: Imagem Google Earth 02/05/2016
A Serra do Mar tem um bioma e ecossistemas de formação complexa e segundo o Plano de Manejo do Parque da Serra do Mar, são compostos pela Floresta Ombrófila Densa
de Terras baixas (também conhecida como Floresta Alta do Litoral, Floresta de Planície ou Restinga Alta) e pela Floresta Ombrófila Densa Submontana ( Floresta da Encosta da Serra do Mar) ( Instituto EKOS Brasil, 2006:7).
O Instituto de Botânica de São Paulo, em suas pesquisas e experimentos, verificou que os modelos de recomposição e reflorestamento induzidos com espécies nativas, com alta diversidade nas matas ciliares, têm mais sucesso, seguindo o modelo dinâmico de reflorestamento heterogêneo com perpetuação da floresta.
Destacamos as principais famílias, com riqueza elevada de espécies arbóreas na Floresta Atlântica de encosta no Estado de São Paulo, com pelo menos quatro espécies amostradas em sete levantamentos florísticos na floresta atlântica de encosta no estado de São Paulo. (Mantovanni & Tabarelli, 1999).           
Principais Famílias Arbóreas
Tabela 6. Principais Famílias Arbóreas do Parque Estadual da Serra do Mar
PRINCIPAIS FAMÍLIAS DA ESPÉCIE ARBÓREA
N° DE ESPÉCIES
PRINCIPAIS FAMÍLIAS DA ESPÉCIE ARBÓREA
N° DE ESPÉCIES
Myrtaceae
79
Myrsinaceae
8
Leguminosae
49
Palmae
7
Rubiaceae
35
Proteaceae
7
Lauraceae
27
Meliaceae
6
Melastomataceae
17
Flacourtiaceae
6
Euphorbiaceae
16
Rutaceae
6
Sapotaceae
13
Aquifoliaceae
5
Annonaceae
11
Vochysiaceae
5
Moraceae
10
Cecropiaceae
5
Chrysobalanaceae
10
Clusiaceae
5
Bignoniaceae
9
Piperaceae
4
Sapindaceae
9
Boraginaceae
4
Monimiaceae
8
Total Famílias
361
Fonte: Elaborada pelos professores Mantovanni & Tambarelli,1999:5.
E na tabela 6 se encontram as famílias arbóreas identificadas na Serra do Mar, no litoral sul, que deram origens às variadas espécies encontradas no Parque Estadual da Serra do Mar.  
[...] para esta área 269 indivíduos de 68 espécies pertencentes a 46 gêneros de 31 famílias foram amostradas...As famílias mais ricas foram: Myrtaceae com 19 espécies (27,9% do total de espécies), Lauraceae com 8 espécies (11,7%), Melastomataceae e Rubiaceae com 4 espécies cada  (5,8%), Annonacea Chrysopalaceae, Fabaceae, Oleaceae, Sapindaceae e Sapotaceae com 2 espécies cada (2,9%). Vinte famílias (64,5% do total de famílias) apresentaram apenas uma espécie amostrada”. Destacando-se três das famílias acentuadamente mais ricas Myrtaceae, Fabaceae e Arecaceae. (Neto, 2007:65)
Estimase que um número acima 100 espécies diferentes por hectare parece ser o ideal, é alta diversidade e estimase em cerca de 100 vezes mais a diversidade de animais e microorganismos em relação ao número de espécies vegetais; é impressionante e é possível. (Barbosa et. al., 2006:1516)
Já na tabela 7, listam–se as espécies da estrutura da floresta, derivada da tabela 6. Estes pesquisadores de forma sucinta apresentam a riqueza endêmica das espécies arbóreas localizadas na Serra do Mar no Litoral Sul, e com as quais executaremos reflorestamento em nossa área de estudo, contribuindo na fixação de carbono que é um serviço ambiental que a floresta proporciona, e em maior intensidade em sua fase de crescimento, e em especial na recomposição ou reflorestamento das matas ciliares. 
Tabela 7. Principais Espécies da Estrutura da Floresta do Parque Estadual da Serra do Mar
PRINCIPAIS ESPÉCIES ARBÓREA – NOME CIENTÍFICO
NOME POPULAR DA ESPÉCIE
Eugenia brasiliensis
grumixara
Guapira opposita
flor de pérola, garapirim-miúdo
Diploon cuspidatum
guapevinha, guapicirica
Chrysobalanaceae (L.octandra)
milho torrado mirim
Myrcia fallax
coração tinto, cambuci
Gualtteria martiana
pindaúva preta ou branca
Ocotea diospyrifolia
canela louro
Eugenia involucrata
tapiá
Calyptranthes glazioviana

Calyptranthes lucida
araça de várzea
Rugea sp ou Farmea sp
casca branca, guatambú
Byrsonima myrcifolia
Murici, muchita
Psidum catteyanum
araça-amarelo
Ouratea parviflora

Ocotea corymbosa
canela corvo
Calyptranthes concinna
guamirim facho
Ormosia fastigada
olho de cabra
Myrtacea sp1
cambuci
Duguetia lanceolata
pindaúva,pindaíba
Alibertia myrcifolia
arariba falsa
Fonte: Elaborada por João Carlos Miguel Tomaz Micheletti Neto e, orientando do Prof. Dr. Waldir Mantovanni
2.5. Técnicas e Critérios para Execução de um Reflorestamento
Barbosa, que atua em equipe multidisciplinar e multiinstitucional há décadas, com experiências técnicocientíficas em recuperação de áreas degradadas, nos mais diversos estágios, defende:
Proteger o meio ambiente não significa impedir o desenvolvimento. O que se faz necessário é promover o desenvolvimento em harmonia com o meio ambiente. Daí a ideia de desenvolvimento sustentável, que tomou corpo nas últimas décadas e norteia a ação dos órgãos públicos encarregados da defesa do meio ambiente, no mundo todo. (Barbosa et. al., 2006:6)
            Os modelos de Recuperação de Área Degradada – RAD promovem um maior sucesso nos projetos de recuperação e conservação da biodiversidade, e dos estudos existentes muito se referem à formação da Floresta Ombrófila Densa, que existia em nossa área de estudo até ser removida para o cultivo agrícola.
            Em nosso trabalho de pesquisa encontramos diversos modelos e técnicas nos livros estudados sobre recuperação de área degradada, citamos:
            Princípios e Critérios para Recuperação de Áreas Degradadas (RAD):
*     *Interpretação da área com imagens de satélite ou fotografias aéreas para zoneamento ambiental, por ser microbacia e propriedade rural;
*     * solar a área que será reflorestada com cercamento, caso tenha animais para não ocorrer invasão;
*     *Limpeza da área e preparo do terreno para plantio 30 dias antes do plantio; e aplicação inicial no pré–plantio para formigas – iscas granuladas à base de Sulfluramida ou Fipronil;
*      Avaliação das condições da área degradada e decisão do modelo a ser adotado: (Resiliência–no caso da área em estudo é recuperar a perturbação provocada pelo cultivo agrícola que invadiu a Área de Preservação Permanente – APP);
*     * Modelo simples;
*      *Modelo Complexo;
*      *Modelo Nucleação ou Ilhas de Vegetação;
*      *Modelo de Plantio com Alternância;
*     *Modelo de Plantio em Quincôncio;
*      *Modelos Sucessionais;
*      *Modelos Plantio em Módulos;
*      *Modelo Plantio Adensado;
*     * Modelo Sistemas Agroflorestais;
*      Em Matas Ciliares Remanescentes:
*  Implantação de Zona Tampão,
*  Implantação de Corredores Ecológicos,
*   Restauração de Clareiras,
*  Plantio de Enriquecimento;
*      Linha da EMBRAPA, baseada na utilização de leguminosas pioneiras;
*      Linha da ESALQ/USP, baseada na implantação de vários estágios da sucessão ecológica;
Figura 15. – Modelo de Plantio 2 x 3 m – Pioneiras, Secundárias e Clímax

*   * Análise química do solo para avaliação de fertilidade;
*   *Correção do solo: consiste em intervenções no solo como aração,gradagem, subsolagem e adubação para melhoria de suas qualidades físicas e químicas; aplicação de calagem em área total de 30 a 60 dias antes do plantio;
*     * Plantio de mudas, sempre que puder, nos meses chuvosos de verão (de setembro a março);
*     *E a escolha por dias nublados e frescos para plantar, o que ajuda muito na sobrevivência das mudas;Fique de olho na previsão do tempo (http://br.weather.com/weather/local/BRXX0201);
*       *Plantar espécies (recomendável) nativas da região, pelo fato das condições ambientais;
*      *A combinação de plantio heterogêneo é extremamente importante para o sucesso do projeto de recuperação florestal;
*    *Plantar o maior número de espécies da mesma bacia hidrográfica (entorno) – formando um reflorestamento heterogêneo por serem auto–sustentáveis;
*     *Evitar–se plantar poucas espécies devido aos ataques de pragas se tornarem constantes, o que traz grandes números de mortalidade de mudas;
*    *Plantar muda entre 40 e 60 cm, pois tem mais condições de regeneração natural;
*      As espécies pioneiras são da Família Leguminosae, e são importantíssimas, porque elas têm a capacidade de fixar o nitrogênio no solo por suas raízes, melhorando assim as condições do terreno para todas as outras espécies, e sistema radiculares de absorção mais desenvolvidos;
Figura 16. – Esquema processo de recuperação das espécies pioneiras e secundárias iniciais e tardias (modelo de sucessão ecológica)
*    *As sombreadoras ajudam também a eliminar o capim que precisa de muito sol para florir e frutificar;
* *Plantar com espaçamento distantes de 2,0 x 2,0 metros, neste espaçamento serão plantadas mais mudas, sendo 2.500 mudas por hectare, são as sombreadoras, porque ajudam na preparação do campo para que as secundárias iniciais e secundárias tardias possam crescer em suas sombras, isto irá elevar o custo do projeto, no entanto, com resultados garantidos;
* *Geralmente plantam–se com o espaçamento de 2,0 x 3,0 metros, que promoverá um fechamento de copa um pouco mais lento, e serão utilizadas 1.667 mudas/ha;
*    *Alinhamento e marcação de covas em nível, obedecendo ao espaçamento de 3,0 x 1,5m, ou 2.222 covas/ha;
*   *No sistema agro–florestais 3 x 3 metros, com 1.111 mudas/ha. plantadas;
*  *E nas covas com dimensões de 40 x 40 cm, adubadas com 250 gramas por cova de fertilizante químico NPK (10–28–6+B+Zn), espaçamento de 4 x 4 m;
Figura 17. – Possíveis métodos para restauração ecológica, desde aproveitamento do potencial de regeneração local, passando por monitoramento da chegada de propágulos até o plantio de mudas (em casos onde não houve expressão da regeneração natural).
Fonte: Rodrigues et al, 2009

*   *De preferência deixe a cova ligeiramente convexa, a chamada Bacia de Captação, um pouco mais funda que a superfície do terreno, o que ajuda na absorção de água durante as chuvas;
*   *Em encostas íngremes, a boca da cova deve ser o mais horizontal possível, para poder absorver a água da chuva; 
*   *Cuidados para não enterrar o colo da muda, ou seja, não enterre a raiz da planta muito funda na cova, mantendo 3 a 5 cm da haste da muda;
*    *O uso de ser(r)apilheira, galhada para formação de nutrientes, matéria orgânica e através dos restos vegetais as sementes de futuras árvores, folhas secas;
*    *Podemse usar adubos orgânicos, que são esterco de vaca, esterco de coelho, humos de minhoca, cama de galinha, cama de cavalo (palha misturada com esterco usada nos estábulos) e/ou terra vegetal que pode ser colhida de uma composteira;
*    *Os substratos utilizados: vermiculita pura, turfa, terra arenosa, esterco bovino, plantmax (vermiculita + matéria orgânica) e casca de arroz carbonizada. Esses substratos foram testados puros e em misturas diversas;
* *Ao solo restante são adicionados 20% em volume de esterco de curral, além de superfosfato triplo em função da análise do solo, geralmente em torno de 2 a 3 kg/m3, além de calcário dolomítico;
*  *Os adubos orgânicos funcionam bem como adubos de cova, usados juntamente com adubos químicos nas covas antes do plantio;
*      Cobertura morta em volta dos caules das mudas, espalhando folhas úmidas ou semidecompostas sobre a terra em cima da cova bem em volta das mudas, o que protege as raízes de insolação e desidratação nos dias mais quentes e secos;
*      Plantar espécies pioneiras de rápido crescimento, secundárias iniciais e tardias e por último as espécies arbóreas clímax alternadamente;
*   *Plantar espécies que atraem fauna (...espécies regionais, com frutos comestíveis pela fauna, ajudarão a recuperar as funções ecológicas da floresta, inclusive na alimentação de peixes...). Podemos destacar a sucessão ecológica, a diversidade de espécies, a interação flora–fauna, a regeneração natural;
*     *O plantio deve ser dividido em linhas alternadas. Em uma das linhas devem ser plantadas mudas de crescimento rápido, sendo chamadas de mudas de preenchimento. Na outra linha devem ser plantadas mudas de crescimento mais lento, no entanto, em número mais elevado de espécies, sendo estas linhas chamadas de linhas de diversidade;
*    *Plantam–se com toda terra retirada da cova, que deve ser misturada ao adubo utilizado, juntamente com calcário dolomítico e devolvendo a terra misturada para dentro da cova. Uma estaca de 1,5 metros deve ser colocada em cada uma destas covas para tutoramento, facilitando a visualização das mesmas e sustentando as mudas em crescimento e nunca se usa arame ou cordas que possam estrangular o caule das mudas;
                Figura 18. Gualharia e matéria orgânica 
                   Fonte: Kuntschik et. al, 2011:26

*      *Controle das gramíneas: herbicida à base de glyphosate;
*   *Coroamento químico: herbicida à base de glyphosate, herbicida pode tanto ser pós–emergente (glyphosate) quanto pré–emergente;
*    *Coroamento, cobertura vegetal, modalidade de adubação verde – consiste na retirada das plantas daninhas (mato) próximo a cova. O coroamento deve ser feito ao menos uma vez por mês, evitando que o mato sufoque as mudas e em caso de incêndio a planta estará mais protegida;
*   *Esse coroamento deve ter de 0,80 cm de raio ao redor da cova de plantio da muda da espécie arbórea;
*   *É necessário monitorar a área e cuidados como capina, tanto por serem competidoras agressivas, que geram grande quantidade de sementes e germinam muito rapidamente, quando por sufocar as mudas provocando a morte das mesmas, controle de cipós;
*  *Recomenda–se não usar herbicidas (caso decida por usar deve ser receitado por um engenheiro agrônomo);
*  *Aliar a recuperação florestal com sustentabilidade econômica é adesão do pequeno proprietário rural que é produtor de água, que revitaliza e recria o ecossistema e benefícios para sua propriedade;
*  *Utilização de adubação verde com potencial formicida: algumas espécies como a Cucurbita moschata (Aboboreira rasteira), Sesamun indicum (Gergelim) e Canavalia ensiformis (Feijão–de–Porco) são reconhecidas como potenciais controladores de plantas invasoras e o ataque de formigas em áreas de restauração florestal;
* *Nos adubos de maneira geral, em reflorestamentos, o fósforo é dosado em maior quantidade que os outros elementos, por ser presente em menor concentração no solo;
*   *Adubos químicos que são muito úteis e fáceis de usar, como o Thermofosfato ou Iorin, ambos muito ricos em fósforo e com pouca acidez (comparado com o superfosfato de rocha que é muito ácido);
*     *Aplicar 150g de NPK 4–14–8 ou de 100g de NPK 10–30–10, mais 2 litros de esterco de curral curtido ou de galinha por cova, é recomendável de forma generalizada; ou
*   *Fertilizantes na proporção de 200 gramas por cova, NPK 6–30–6, ou outro equivalente com elevado teor de fósforo (P); ou
*    *Outras formulações de NPK de liberação controlada para 3, 6, 9 e até 12 meses da linha Osmocote e Basacote Plus, que buscam eficiência nutricional, otimização de operações e segurança de aplicação, e Basacote Mini que busca eficiência nutricional para aplicação em estufas e viveiros e fosfato reativo entre outros;
*    *Aplicação de NKS e micronutrientes em cobertura (conforme análise do solo) após 3 e 6 meses do plantio, de preferência no início da estação chuvosa;
*     *Manutenção de plantio: adubação de cobertura até o segundo ano após o plantio;
*      Avaliar o desenvolvimento da vegetação para decisão sobre novas adições de nutrientes;
*     *É imprescindível a irrigação imediata ao plantio, e irrigação constante é manutenção para mudas não perecerem, já que o sistema radicular demora alguns anos para tornar–se profundo o suficiente para garantir sua sobrevivência;
*  *Indicadores de Avaliação e Monitoramento da recuperação pontual para construírem o sucesso do projeto florestal;
*     *Rotação de Cultura;
*      *Sistemas Silviagrícolas, Silvipastoris, Agrosilvipastoris;
*     * Lembramos que o ideal são mudas produzidas próximas às áreas de plantio;
*   *A produção de mudas deve ser acompanhada e assinada por Engenheiro Agrônomo ou Engenheiro Florestal de acordo com o que dispõe a Lei nº 10.711/2003;
 *            *Para plantio nos meses mais secos, existe um produto alemão chamado Stocksorb comprado na Degusa em SP (11) 31464161 chamado de GEL que é depositado no fundo da cova, então se coloca 1 litro de água (se não houver chuvas) e essa muda fica provida de água por um mês. O produto é caro mais ele garante um ótimo desenvolvimento das mudas em épocas de seca. 

Desta extensa lista de técnicas para recuperação de áreas degradadas, destacamos os
autores  que estudamos:
(Barbosa et. al.,2008)(Tavares et. al.,2008)(Ortis,2012)(Kageyama,2004)
(Sartori,2015)(Castro&Melo&Poester,2012)(Gonçalves et. al.,2008)
(Venâncio,2010)(Venâncio,2011)(Rodrigues & Bracalion & Isernhagem,2009)
(SMA,N°1,2009)(Kuntschik et. al.,2011)(*) Análise de Solo do IAC - anexo

Segundo o Prof. Dr. Venâncio

[...] o envolvimento de produtores rurais e populações ribeirinhas nos projetos de recuperação de matas ciliares é extremamente importante, para que eles passem a considerar a mata ciliar como uma parte importantíssima da propriedade e da microbacia hidrográfica, que deve ser conservada. Inúmeros são os casos de projetos de recuperação que fracassaram justamente por terem sido impostos aos produtores rurais que passaram a ver a mata ciliar como algo prejudicial e que deveria ser eliminado. (Venâncio, 2011:205)

Os benefícios de um ecossistema, que ainda são considerados como custos de externalidades, sendo que a natureza é mantenedora e parceira da humanidade em suas inúmeras atividades econômica, logo, o custo deveria ser considerado como internalizado nas contas empresariais e públicas, pois uma floresta conservada tem valores de trilhões de dólares, e que nenhuma tecnologia humana recria os serviços ambientais que são de valores incomensuráveis.
Destacamos apenas algumas funções ambientais que as florestas, sejam elas, ciliares ou de outras formações de florestas, prestam serviços ambientais à humanidade:
*Função de elemento de fixação no solo das precipitações pluviométricas; Função estabilizadora de solos degradados; Função de resgate
do gás carbono e algumas espécies fixam o nitrogênio (leguminosas); Reguladora do fluxo de água, influenciando na vazão dos cursos hídricos; Mantém a qualidade da água; Protegem as margens dos rios, impedindo erosão e consequentemente o assoreamento; É abrigo e alimento para fauna terrestre e aquática; Fornece sombra protetora para gado e sombra que mantém a estabilidade térmica da água; Função geradora de inúmeras matérias primas; Melhoria do microclima;
Figura 19. – Área Objeto de Investigação Demarcada, com Modelo de Reflorestamento que será adotado.
Fonte: Imagem Google Earth 05/02/2016
Os biomas têm funções perfeitas e são os maiores transformadores de energia solar. (Castro&Mello&Poester, 2012:9) e na área estudada, num futuro próximo, com reflorestamento adensado e de enriquecimento executados, com o maior número de espécies possível, trará a diversificação de produções da área, plantando–se espécies afins dos benefícios para fauna e flora, e poderão explorar produtos naturais, como:
*   *Frutos, sementes e produtos derivados; Apicultura e os produtos derivados; Cultivo de cogumelos e os produtos derivados; Exploração de resinas e óleos essenciais; Plantas medicinais, aromáticas e ornamentais; Ter proteção para casas e plantações, pois servem de bloqueio de fortes ventos; sem contar com os valores estéticos e paisagísticos e de frescura dos ares;
Sabemos que as florestas são produtoras de água. Sabemos que as florestas protegem à água e o solo. Vêse a diferença entre área degradada e a abundância de um ecossistema em equilíbrio. O solo é de essencial importância para o estabelecimento e o desenvolvimento das plantas. As florestas em crescimento fixam o carbono contribuindo diretamente para redução do efeito estufa, logo, a floresta restaurada é floresta conservada, benefícios para todos os seres vivos!
2.6. Área de Estudo– Trecho da Margem Direita do Rio Branco a Jusante da Barragem – Volumes das Águas do Rio Branco em Novo Sistema Produtor de Água MambuBranco – Itanhaém – SP
Figura 20. – Ponte do Rio Branco – Área de estudo, rio no período de chuvas e no período de estiagem
Fonte: Foto da autora e foto do yotube: Obra da Sabesp em Itanhaém
Esse sub–capítulo demonstra como são imprescindíveis as florestas e, dentre outros serviços ambientais que prestam a humanidade, em especial na sustentabilidade para produção de água e no que refere especificamente a nossa área de estudo localizada a jusante da Barragem Mambu–Branco; e com o projeto da Secretaria do Meio Ambiente e Planejamento do Município de Itanhaém, que foi contemplado com recursos financeiros do Fundo Nacional de Meio Ambiente – FNMA realizarão reflorestamento previsto para 2017-2021, na grande área da Bacia Hidrográfica do Rio Branco. Comprovadamente é de importância ímpar o reflorestamento, já que as florestas são produtoras de água superficiais e subterrâneas.
A bacia hidrográfica do Rio Branco tem as características de relevo acidentado, por isso é bacia de planalto; é exorreica porque corre para o mar e é bacia perene porque nunca seca, pois na estiagem seu nível apenas diminui.
A empresa de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – SABESP, adquiriu direito de Outorga da Bacia Hidrográfica do Rio Branco em 2008 e, desde então, a Empresa Consórcio Cobrape/Gerentec desenvolve atividades para estruturar e construir um canal de captação de água para abastecimento público. Em 2011, construiu a Barragem no Rio Branco, formando o Novo Sistema Mambu–Branco.
Figura 21. – Vazão do Sistema Produtor de Água Mambu – 2013
Fonte: Resumo Executivo de Itanhaém, 2012:27
Esse ponto de captação irá abastecer o munícipio de Itanhaém, suprindo os municípios do litoral sul, explica o Eng. Veronese, coordenador do contrato Consórcio Cobrape/Gerentec II Consórcio Mambu. O programa irá adicionar 1.000 l/s de água ao abastecimento da região, com captação feita no Rio Branco, que somada às águas do Rio Mambu com vazão de 600 l/s de água, suprirão o Sistema Produtor de Água MambuBranco, inaugurado em 2013, produzindo vazão de 1.600 l/s. [1]
Os estudos de reflorestamento de “matas ripárias demonstram que um hectare produz 10 m³=10.000 litros e, que 100 hectares produzem água para 2.600 pessoas, com precipitações de 1.200 mm anuais”(SMA,N°1, 2009:20), o que significa que no reflorestamento da bacia hidrográfica do Rio Branco milhões de pessoas serão beneficiadas.
Os dados da tabela estão representados no gráfico de colunas, destacando–se a demanda de pico, adicionada dos 1.000 l/s do Rio Branco. O gráfico apresenta estimativa de produção de água, que opera desde 2013, e tem aumento de vazão tornando–se o Sistema Produtor de Água Mambu–Branco que, sem dúvida, alcançará as previsões estimadas pela SABESP, pois o Novo Sistema Produtor de Água MambuBranco recebe anualmente 3.000mm de chuvas.
Os dados apresentados neste estudos são estimativos elaboradas a partir da figura 21, do relatório executivo de Itanhaém, que resultou em: Demanda Pico=1.600 l/s com 3,71% ano; Demanda Jan-Fev=1.072 l/s com de 3,73% ano; Demanda Estiagem=832 l/s com 2,92% ano (cálculo rudimentar para dedução: vazão menor pela vazão maior = %, dividido pelo número de anos a partir da inauguração). Apresentamos a vazão do sistema mambu-branco no gráfico3, SISTEMA MAMBUBRANCO=1600 l/s[2]
             Gráfico 3. – Gráfico de Colunas da Vazão das Águas do Sistema de Produção Mambu–Branco em M³
     Fonte: Da própria autora 09/16
E, com o novo Sistema Produtor de Água MambuBranco, a SABESP tem pretensão de ampliar a produção de água nos próximos anos, dos atuais 1.600 l/s para 3.200 l/s, que certamente será favorecida pelo reflorestamento.
A floresta tem função imprescindível na dinâmica hidrológica e dos solos; outro motivo de igual importância, é que as Matas Ciliares, são produtoras de água para captação (mesmo que indiretamente, como é nossa área estudada, através do acúmulo das águas subterrâneas) de abastecimento na Barragem Mambu–Branco.
O reflorestamento multiplicará a produção de água, elevando consideravelmente os milhares de m³ de água, já que o ecossistema restituído e recuperado em equilíbrio nas suas funções ambientais, que favorecerá também o entorna deste sistema de produção de água. O entorno é uma zona de amortecimento, também conhecida como zona tampão, ou seja, são as áreas no entorno de uma Unidade de Conservação, que protegem e filtram os impactos negativos que ocorrem fora dela, como poluição, espécies invasoras e avanço da ocupação humana. E na área objeto de investigação, sendo restaurada e se adotando os meios de exploração sustentável, na multiplicação de produção de água favorecida pelas águas superficiais e águas subterrâneas. Ao mesmo tempo contribui e recebe benefícios, mantendo o ecossistema pleno em suas funções ambientais.
___________________________
[1] Cobrape.
[2]Buscamos por dois meses os valores reais da vazão, chegando a Ouvidoria da Sabesp e a Ouvidoria do Governo do Estado e, sem nenhuma resposta (dez/16). E, também não constam informações fluviométricas do Rio Branco nos bancos de dados do DAEE e nem CRHBS. Por isso foram realizados cálculos estimativos.
2.7. Desenvolvimento Sustentável: Reflorestamentos e o Programa de Carbono Neutro
Sou apenas uma criança e, não tenho as soluções, mas quero que saibam que vocês também não têm. Vocês não sabem como reparar os buracos na camada de ozônio. Vocês não sabem como salvar os salmões das águas poluídas. Vocês não podem ressuscitar os animais extintos. Vocês não podem recuperar as florestas queum dia existiram, onde hoje é deserto. Se vocês não podem recuperar nada disso, então, por favor, parem de destruir!” Veiga,2008:2 [1]
Define–se Desenvolvimento Sustentável:
[...] que é ter capacidade de gerir – é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer as possibilidades de gerações futuras de atenderem as suas próprias necessidades, como também, é uma forma de otimizar o uso racional dos recursos naturais e a garantia dos recursos e a garantia de conservação e do bem-estar para as gerações futuras. É o maior desafio da atualidade. Nas expectativas do novo século, o desenvolvimento sustentável é o novo modelo econômico, é um projeto para uma sociedade estável, ou seja, um ser humano (re)estruturado com a visão do todo [...] (Brundtland,1991:46)
Para se alcançar o Desenvolvimento Sustentável criou–se Agenda 21, que surgiu a partir do momento em que o conceito de Desenvolvimento Sustentável foi aceito. O Gerenciamento Sustentável trabalha no desenvolvimento de controles para impedir desperdícios de toda a ordem, são planos e leis que regulamentam e criam estratégias para uso adequado dos recursos naturais e renováveis.
A Agenda 21 é uma ferramenta para a Sustentabilidade, são planos de ações para os países e consequentemente para os estados. A Agenda 21 local é para realizações em todos os sentidos, e nos referimos à recuperação das matas ciliares para produção de água.
No âmbito do Estado de São Paulo, a Agenda 21desenvolve projetos voltados à manutenção da água, pois a experiência negativa – da falta de água – recente foi a criticidade no Estado de São Paulo 2013–2015, com seus reservatórios quase secos.
Com bases nestes acontecimentos,
[...] parece que começa haver uma mudança de mentalidade acerca das florestas, tanto do ponto de vista ecológico, quando socioeconômico e até estratégico, pois as florestas (naturais e plantadas) fornecem bens e serviços, de diversas naturezas, que beneficiam, direta ou indiretamente, a sociedade, como produção de água, regularização de vazão, controle de cheias, prevenção de erosão, conservação de solo, proteção da vida silvestre, oportunidades para promoção da caça e da pesca, recursos paisagísticos e impactos no clima, na poluição e na produção agrícola. (Schenttino,2003:77)
O reflorestamento é de solução vital, já que no período de crescimento dos primeiros anos, os hectares de florestas captam gigantescas quantidades de gás carbônico, agindo no desenvolvimento vegetal através da fotossíntese, sendo as florestas produtoras de toda a vida, geradoras de água, água esta que provê as camadas superficiais e subterrâneas do solo, bem como o equilíbrio das condicionantes ambientais.
Lembramos que o gás carbônico não é veneno, pois ele existe livremente na natureza e está permanentemente no sangue humano e é indispensável para a vegetação elaborar a fotossíntese; logo, são as proporções e combinações que fazem com que o gás carbônico torne–se venenoso, causador do fenômeno efeito estufa. É o acúmulo de partículas resultantes da queima, por exemplo, de sulfeto de ferro e gases como dióxido e monóxido de carbono, óxidos de nitrogênio, óxidos de enxofre no ar, que destrói a camada de ozônio e causa muitos males a saúde humana, vegetal e animal.
O efeito estufa é o acúmulo dessas partículas e de tantos outros gases na camada de ozônio, que formam uma crosta que impede o calor do sol de voltar para atmosfera, formando um forno atmosférico muito próximo da camada em que a humanidade vive. Esse excesso de calor desestabiliza as massas de ar marítimas ou terrestres e sucessivamente altera fatores intrínsecos do clima, provocando na maioria das vezes grandes catástrofes que temos assistido, senão sofrido, nas últimas três décadas com mais constância, e isso ocorre devido a esta desestabilização da temperatura, desencadeando–se desequilíbrios das condicionantes ambientais.
O meio de solução para diminuir o efeito estufa é o sequestro de carbono, que teve o conceito consagrado na Conferência de Kyoto em 1997, e hoje é conhecida como COP21/15.
 [...] com a finalidade de conter e reverter o acúmulo de CO2 na atmosfera, visando a diminuição do efeito estufa. A conservação de estoques de carbono nos solos, florestas e outros tipos de vegetação, a preservação de florestas nativas, a implantação de florestas e sistemas agroflorestais e a recuperação de áreas degradadas são algumas ações que contribuem para a redução da concentração do CO2 na atmosfera. Os resultados do efeito: sequestro de carbono podem ser quantificados através da estimativa da biomassa da planta acima e abaixo do solo, do cálculo de carbono estocado nos produtos madeireiros e pela quantidade de CO2 absorvido no processo de fotossíntese. (Equipe Árvores do Brasil)
O efeito do sequestro de carbono, também conhecido como estoque de carbono, vem de encontro à vocação do solo brasileiro para florestas, que é fato preponderante, o potencial para se tornar um mercado internacional de carbono dentro do Brasil por muitos anos, é garantia certa a partir do momento que realizarem as Agendas 21 local e estadual, por que são das pequenas ações que se geram as grandes ações e, sem dúvida, gerarão novas formas de empregabilidade, criando uma cadeia produtiva, criando uma economia sustentável.
Conforme o Acordo de Paris sobre o Clima – COP21/15 – ratificado e aprovado pelo Congresso Nacional Brasileiro, nos esclarece o Secretário de Mudanças Climáticas –– MMA, Sr. Everton Lucero, que a meta assumida pelo Brasil é de reflorestar 12 milhões de hectares para contribuir com a ação ambiciosa dos demais 194 países que assinaram o Acordo da COP21/15, que ratificaram o Acordo na COP22 em 04 de novembro de 2016 em Marraquesh, na Índia, com pretensão de diminuir 1,5°graus, contando a partir da era industrial, para reverter o aquecimento global e evitar os extremos climáticos à temperatura mundial.[2]
No Brasil, pretende–se intensificar ações já existentes, como combater o desmatamento para alcançar a meta, assim como energia limpa e tantas outras estratégias de âmbito nacional que serão amplamente expostas aos setores produtivos e ao congresso nacional, para assim implementar as metas do ambicioso e grandioso projeto, com objetivo de alcançar o desafio de investimentos para recuperar 12 milhões de hectares de florestas até 2030. E sem dúvida aumento nos volumes de águas e chuvas, porque solo x água x floresta são indissociáveis.
E um dos grandes pesquisadores no Brasil, o Eng. Agrônomo Paulo Kageyama, Prof. Dr. da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP – ESALQ, pioneiro em pesquisas de espécies nativas brasileiras (falecido maio/16) foi inspirador do estudo: “Quanto o Brasil precisa investir para recuperar 12 milhões de hectares de florestas? ” e, segundo o engenheiro florestal Eduardo Gusson da Biodentro Consultoria Florestal, um dos responsáveis pela equipe florestal, o modelo de Kageyama foi fundamental para que assim pudessem se criar outros modelos florestais, a partir dele, inseridos nos modelos econômicos. (Equipe NUCABRASIL, 2016)
Então foi realizado, a pedido da Coalizão Clima, Florestas e Agricultura–movimento multisetorial formado por 120 empresas, associações setoriais, organizações da sociedade civil e centros de pesquisa–que encomendou às equipes multidisciplinares do Instituto Escolhas e do Centro de Estudos da Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces), cálculos dos investimentos necessários e receitas decorrentes da recuperação florestal de 12 milhões de hectares até 2030, conforme compromisso assumido pelo Brasil em sua meta de redução de emissões assumida na reunião da Convenção do Clima de Paris, em dezembro de 2015.


            Figura 22. – Acordo de Paris–Brasil: 12 milhões de hectares reflorestados
              Fonte: Instituto Escolhas, 2015:9
O Instituto Escolhas apresenta quanto o Brasil precisará investir para recuperar 12 milhões de hectares de florestas, investimento esse que será entre R$31 bilhões e R$52 bilhões, conforme o cenário escolhido, isso significa ter investimentos anuais entre R$2,2 bilhões e R$3,7 bilhões por 14 anos, a criação entre R$138 mil a R$215 mil empregos e a arrecadação entre R$3,9 bilhões a R$6,5 bilhões em impostos. (Instituto Escolhas: 2015:6)
Segundo estudos elaborados pelo Instituto Escolhas e Getúlio Vargas “A floresta recuperada será fonte, ainda, de atividades econômicas, por meio das cadeias produtivas dos seus produtos, movimentando dezenas de bilhões de dólares nas próximas décadas.” (Instituto Escolhas, 2015:6). Como vemos na figura 22, serão favorecidos o Bioma da Amazônia e Bioma da Mata Atlântica para recuperação dos 12 milhões de hectares.
Esse é um dos investimentos verdes na busca da baixa emissão de carbono para reduzir gases do efeito estufa (GEE), que intensificarão os produtos de energia limpa já existentes e outros investimentos verdes surgirão como oportunidades de negócio, já que o Meio Ambiente oferta inúmeras maneiras de sustentar a humanidade gratuitamente e também porque não existem tecnologias que reproduzam os serviços ambientais.
Segundo o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia – IDESAM, que é uma das equipes de especialistas em Programas de Carbono Neutro no Brasil, que utiliza o modelo de Agro–florestal que sequestra 3,33 t/ha e que após 27 anos de implantação estará sequestrando 333,43 tCO2/ha, significando que aumentarão nos próximos anos devido as atividades do Acordo de Paris de 2015–COP21. Lembramos que, para colaborar com outras energias limpas, podemos calcular outros fatores de emissão, como gasolina (km), óleo diesel (km), álcool (km), botijão de gás, energia elétrica (kWh), encontrados nos sites do IDESAM, Instituto ESCOLHAS e Iniciativa VERDE entre outros.
Convém ressaltar que as estimativas de emissões de CO2 são resultado dos desflorestamentos, que não são contabilizados por serem considerados fatores de externalidades. No entanto, as indústrias que utilizam da natureza, contabilizam somente os custos de seus produtos sem considerar sua origem. Se fosse obrigatória a contabilização das externalidades, cremos que não haveria desmatamento, já que incorreria em uma demanda de impostos. E nossa área de investigação está dentro do Bioma da Mata Atlântica: mata, restinga e mangue, que é sequestradora de CO2, acontecendo o mesmo com todos os biomas em maior ou menor volume em m³ captados.
Para calcular as estimativas do sequestro do carbono obteve–se a colaboração do Técnico Ambiental Ramon do IDESAM. No que se refere à área estudada, demonstra–se o valor de sequestro de carbono por hectare, mesmo sabendo que os valores são extremamente relativos que, inclusive, se alteram em hectares e modelos valorados por grupos de espécies, ou espécie, já que se diferencia a absorção de CO2.
Descrevemos os estudos sobre a busca pelo baixo carbono e que geram créditos de carbono através da compensação pelas emissões de gases de efeito estufa (GEE). E, como exemplo, num dos Projetos do Instituto Oikos de Agroecologia, realizado em 2012, que atuou em Lorena – Vale do Paraíba – SP, movimentaram os proprietários rurais, para que aderissem ao Projeto Carbono Seguro, mantendo as árvores em pé por 30 anos. David Dieguez Diretor informou:
Em nossos cálculos, sabemos que uma árvore da Mata Atlântica cresce por 37 anos e, durante esse período uma árvore vai sequestrar 190 quilos de gás carbônico (5,13 kg/ano). Mais há projetos, com determinadas espécies arbóreas, que dizem que apenas uma árvore absorve de 400 a 1.000 quilos (1 tonelada) de carbono por ano.(LEPAC, 2014:636)(INICIATIVA VERDE, 2010).
            Tabela 8 Cálculo do Carbono Neutro por t/ha e t/ha/ano

           Fonte: Da própria autora 10/16
Como vemos na figura 23, as árvores são verdadeiros estoques de carbono. Os pesquisadores revelam que, quanto mais velha é uma árvore, mais a árvore capta dióxido de carbono (CO2) na atmosfera para continuar a crescer, se não em altura, em diâmetro. As árvores absorvem da atmosfera o CO2, o principal gás causador do efeito estufa, responsável pelo aquecimento global e o armazena em seus troncos, seus galhos e suas folhas e nos solos. As florestas são grandiosos reservatórios de carbono. E, segundo Rodacoski & Andrade, chega–se a referenciais mais corretos, de que cada árvore madura da Mata Atlântica pode sequestrar entre 987 e 1.240Kg CO2 acima do solo.
O carbono tanto se fixa no solo como na planta.
            Figura 23. – Sequestro de Carbono em Área Degradada Reflorestada
              Fonte: Rodrigues et al, 2007:11
Então, em nossa área de estudo, haverá contribuição para o sequestro de carbono, seja qual for o modelo adotado. Quanto ao projeto elaborado de reflorestamento pela Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente da Prefeitura de Itanhaém, com reflorestamento que realizarão na Bacia Hidrográfica do Rio Branco, serão sequestrados gigantescas cargas de carbono. Ambos os trabalhos de reflorestamentos, em suas devidas proporções, estarão contribuindo com os 12 milhões de hectares de reflorestamento que o Brasil assumiu realizar no Acordo de Paris COP21/15.
Lembramos, ainda, que o reflorestamento sucessivo num período de 30 anos tende a absorver CO2 sempre pela metade, já que CO2 representa 50% do fenômeno do efeito estufa.  Com a contínua revegetação, o próprio crescimento das árvores e a evolução natural das áreas reflorestadas, dentro da capacidade que as florestas têm de absorverem CO2, serão capturadas grandes cargas de CO2, ocorrendo à diminuição gradativa, somado ás medidas adotadas com os demais investimentos de energia limpa, sem dúvida, cumpriremos parte da meta para o equilíbrio que se almeja do CO2.                                                                                                                                                                         


[2]  Acordo de Paris
[3] Ambiência  Revista do Setor de Ciências Agrárias e Ambientais V.10 N.2 Maio/Ago. 2014:636, a Estimativa de Mike McAliney (22 kg de CO2/ano/árvore do Bioma da Mata Atlântica).
[4]  Modelo Agro–Florestal utilizado pelo IDESAM
2.8. Programas de Reflorestamentos do Governo do Estado e do Governo Federal
Das Políticas Públicas lançadas recentemente, para recuperação, recomposição, reflorestamento da Floresta das Florestas – As Mata Ciliares –:
O Governo Federal – através do Fundo Nacional do Meio Ambiente - FNMA, composto pelo Ministério do Meio Ambiente, Ministério da Justiça, Caixa Econômica Federal - CEF e Agência Nacional das Águas – ANA, fez publicar o edital 01/2015, para a Recuperação de Áreas de Preservação Permanente para Produção de Água, a fim de realizar seleção dos projetos em torno de nascentes, faixas marginais de cursos d água, conforme critérios estabelecidos na Lei n°12.651/2012, com proposito de aumentar a oferta de água em Regiões Metropolitanas com alta criticidade hídrica. (FNMA,2015:2)
O FNMA afirma:
[..] Hoje, no Brasil, somando-se as áreas de APP e RL (reserva legal) que necessitam ser recuperadas segundo a atual legislação, existe um passivo de aproximadamente 21 milhões de hectares (Mha) (SAE, 2013)[...] [...] Apenas o passivo de APP atinge um montante de 4,8 Mha. Em termos de sequestro de carbono, considerando-se apenas o potencial da vegetação original, a recuperação do passivo ambiental de 21±0,6 Mha tem o potencial de sequestrar 1 bilhão de toneladas de carbono no prazo de 20 anos, período estipulado para a recomposição da RL pela Lei nº 12.651/2012, (SAE, 2013) [...]".[1] (FNMA,2015:3)
O FNMA, em janeiro de 2016, fez publicar edital com a seleção das cidades comtempladas para receber o investimento de recuperação de Áreas de Preservação Permanente para Produção de Água, e a cidade de Itanhaém foi uma das eleitas. O que atrai muito tal investimento é que:
 [...] Promove a seleção de propostas que receberão recursos financeiros, não reembolsáveis, para realização de ações de recuperação florestal em áreas de preservação permanente, localizadas em bacias hidrográficas, cujos, mananciais de superfície contribuam direta ou indiretamente para o abastecimento de reservatórios de regiões metropolitanas com alto índice de criticidade hídrica. (FNMA,2015:2)
            O Projeto do FNMA se estende, em especial, às Matas Ciliares em Áreas de Preservação Permanente e para as propriedades rurais, e se crê que dará início às atividades de reflorestamento no início de 2017 na cidade de Itanhaém. Sabemos que existe:
 [...] histórica resistência de setores do campo à reserva de áreas para conservação da vegetação nativa, em função da possível redução da área produtiva, não encontra assento nos dados científicos disponíveis que atestam que, conforme o Plano Nacional de Recuperação de Vegetação Nativa - PLANAVEG (2014) da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, [...] as projeções indicam que o país pode resgatar passivos ambientais[2] sem prejudicar a produção e a oferta de alimentos, fibras e energia, mantendo a tendência de aumento continuado de produtividade das últimas décadas. O Brasil possui cerca de 300 Mha ocupados pela agropecuária. Desse total, 68 Mha são usados pela agricultura e o restante por pastagens em diversos graus de ocupação e de produtividade ou de degradação. Do passivo de APP de 4,8±1,8 Mha, estima-se que somente 0,6±0,35 Mha possam estar ocupados por culturas, representando menos de 1% da agricultura nacional. (FNMA,2015:3)
            Para fortalecer o avanço do projeto do Fundo Nacional do Meio Ambiente – FNMA, há fundamentos científicos e leis, desde que foi constituído o antigo Código Florestal, para servirem de argumentos para os proprietários mais resistentes aos benefícios para a sua propriedade.



[1] PLANAVEG.
[2] Passivo ambiental é o conjunto de todas as obrigações que as empresas têm com a natureza e com a sociedade, destinado exclusivamente a promover investimentos em benefícios ao meio ambiente...
3. A PRODUÇÃO DE ÁGUA: PRODUTOR RURAL É PRODUTOR DE ÁGUA E PRODUTOR DE FLORESTA!
            "Se até os maiores rios nascem pequenos, porque um grande projeto de preservação de água não pode começar em sua casa?"   ANA-Agência Nacional de Águas – MMA – 09/2006[1]

            Da Política Nacional estabelecida pela Lei n° 6.938/81, para proteção jurídica das águas, que está definida na Constituição Federal de 1.988 e está vigente na Lei Federal n° 9.433/1997, conhecida como Lei das Águas do Brasil, que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, a água é concebida na Carta da República como bem de uso comum. Em São Paulo temos a Lei n° 7.663/91 que estabelece normas de orientação à Política Estadual de Recursos Hídricos bem como ao Sistema Integrado de Gerenciamento de Recursos Hídricos.

Lembramos que, desde a década de 60, há o reconhecimento de que a economia e o meio ambiente não são mundos distintos, já que a sociedade humana depende diretamente da capacidade dos ecossistemas para proverem serviços ambientais, pois está constatada alterações nos regimes de chuvas por desmatamento, entre outros males, consequentemente em cursos d’água e águas subterrâneas. (ANA,2008:2) Logo, comprovadamente a produção de água é de vital importância, então, é imprescindível haver florestas nativas!
            Por isso estudamos a importância dos serviços ecossistêmicos e a produção, qual seja:
[...] entendimento da importância da manutenção de áreas naturais como Área de Preservação Permanente – APP’s e Reseva Legal – RL’s numa propriedade rural que é fundamental, já que existe a concepção errônea de que a vegetação nativa representa área não produtiva, com custo adicional e sem nenhum retorno econômico para o produtor. No entanto, essas áreas além de oferecerem ampla gama de possibilidades de retorno econômico, são fundamentais para manter a produtividade em sistemas agropecuários, tendo em vista sua influência direta na produção e conservação da água, da biodiversidade e do solo, na manutenção de abrigo para agentes polinizadores, dispersores de sementes e inimigos naturais de pragas, entre outros. Portanto, a manutenção de remanescentes de vegetação nativa nas propriedades e na paisagem transcende seus benefícios ecológicos e permite vislumbrar, além do seu potencial econômico, a sustentabilidade da atividade agropecuária e a sua função social. (Silva, 2011:14)
Dentre os órgãos que tratam do Meio Ambiente, o órgão Federal Agência Nacional das Águas do Brasil – ANA tem o Programa de Produtor de Água, tendo como exemplo de produtor de água, dentre muitos, que inclusive se tem multiplicado no estado de Minas Gerais.
Figura 24.  – Programa Produtor Rural é Produtor de Água – A.N.A

Fonte: Programa da Agência Nacional de Água - A.N.A.
Apresentamos o sucesso de produção de água em Minas Gerais, executado pelo Eng. Agrônomo e Fazendeiro Marco Tulio Paulinelli, que no Triângulo Mineiro há 30 anos trabalha para melhorar a produção e vazão nas nascentes em suas propriedades, como, por exemplo, um braço do córrego Borá, que desagua no Rio Uberaba.  No youtube, ele demonstra como medir a vazão desta nascente, que mesmo em época de estiagem tem volume consideravelmente alto. O Engenheiro Paulinelli tem um tambor que cabem 123 litros de água, tambor este que é um dos seus medidores, e utilizou o tambor na nascente do córrego Borá que em 35 segundos transbordou águas límpidas e cristalinas. Então, a vazão naquela nascente do córrego Borá é de 7.280 l/h, e é uma das nascentes dentro de suas propriedades.
O Programa da ANA – Produtor de Água – vem favorecer as atividades silvoagropastoris, que é uma atividade que depende diretamente do solo e da água, depende do ecossistema. Portanto, é importante manter o ecossistema da área particular em equilíbrio, plantando espécies próprias para corte e utilizando como beneficiamento na propriedade, assim como recuperar e/ou recompor a floresta de forma heterogênea, que cria estabilidade das condicionantes ambientais, promovendo mais um rendimento para o proprietário como o turismo rural.
                Destacam–se, também, no Estado de São Paulo, os esforços da Sociedade e do Governo para reverter este impasse de degradação do solo, da água, das florestas, como exemplo o Projeto de Recuperação das Matas Ciliares – PRMC do Governo do Estado de São Paulo que teve vigência de 2005 a 2011.
            Outro exemplo da parte do Governo são as CATI’s regionais, que estabelecem aproximação com os agricultores, ofertando técnicas agrícolas para melhorarem a produção de suas culturas, buscando desenvolver com o proprietário uma agricultura mais sustentável. Para tanto, o fator água é componente vital, sendo assim, são muitas as chances proporcionadas, através de projetos ambientais aos agricultores, para alcançarem sucesso na restauração e, sem dúvida, é um investimento para o futuro de uma propriedade mais rentável, mesmo que seja em longo prazo, para estabelecer o equilíbrio da mata ciliar e as demais funções ambientais.
A preservação e a recuperação das matas ciliares, aliadas às práticas de manejo e conservação do solo, é o que garante a proteção das nascentes, dos cursos d’água e represas. O envolvimento do proprietário rural é fundamental. Floresta restaurada é floresta conservada, são benefícios para todos os seres vivos. O agricultor que protege água é aquele que produz água, é aquele que protege a floresta e refloresta, é aquele que protege o solo, já que são benefícios para sua propriedade.
Os proprietários rurais precisam pensar sempre no tripé: água x solo x floresta como seus aliados para o futuro quando se fala de agricultura e pecuária. Frise–se que o tripé natural em equilíbrio na propriedade é o futuro desenvolvimento, desenvolvimento sustentável! Sustentável para a geração presente e para os futuros herdeiros da propriedade!



[1] Águas Subterrâneas, 2012:5

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

 "Matas Ciliares e Nascentes, por que é na vegetação é que se manifesta a água" Globo Rural 25/07/04[1]



 As considerações finais dessa TCC, com referência à área estudada com 3,09ha, se mostra viável para ser recuperada e reflorestada. As recomendações do Instituto Agronômico de Campinas–IAC indica aplicação de calagem (calcário dolomítico), porque o solo é pobre e ácido e, apesar de encarecer muito o projeto para atividade de reflorestamento, é necessário para restauro e nutrição do solo. Cada hectare deverá receber 2 toneladas de calcário ou menos, já que nossa área objeto de investigação se encontra no estado de área perturbada, devendo–se aplicar 30 dias antes do início de plantio. Quanto ao plantio, utilizaremos o modelo de Adensamento 2 x 2 em 3 hectares com plantio de 2.500 mudas por hectare e, em torno de 2500 mudas para 900m² com espaçamento de 1,5 x 1,5m com modelo de adensamento, necessitando ainda de uma outra quantidade (a ser determinada) na parte da área com floresta em pé, que mede 50m²  sendo utilizado o modelo de Enriquecimento.

Das famílias arbóreas que estudamos, são 22 espécies arbóreas diferentes que fazem parte da estrutura da floresta encontrada no Parque Estadual da Serra do Mar, e como ficou definido modelo de plantio Adensado com 2500 mudas por hectare, serão 113 mudas de cada uma das 22 espécies arbóreas diferentes, mencionadas na tabela 7, estrutura da floresta do Parque Estadual da Serra do Mar – PESM.

Dentre os adubos minerais apresentados em nosso TCC, será determinada a melhor formulação pelas características do solo pela equipe multidisciplinar; podemos utilizar a formulação tradicional NPK 4–14–8 aplicando–se entre 150 a 200 g ou como a sugestão do Prof. Dr. Venâncio da UFV, que indicou as formulações NPK 6–30–6 aplicando–se 200 g por cova e modelo de enriquecimento NPK 10–30–10 aplicando–se entre 100 a 150 gramas por cova, e serão utilizados 500 kg por hectare de adubo mineral modelo de adensamento, nas proporções indicadas. O Eng. Wilson colaborou ainda, com cálculos para realização da restauração, que estão estimados em torno de R$18.000,00 por hectare em 06/17, mais a manutenção dos plantios durante um período de dois anos.

Apesar de ter sido vetado no Novo Código Florestal (Lei n ° 12.651), o parágrafo único do Art.1° denotava que a vigente Lei tem por objetivo o Desenvolvimento Sustentável e ainda reafirmava tais necessidades no inciso II, III, V, VII sobre a sustentabilidade. Essas medidas, não adotadas trazem para mais próximo o colapso do meio ambiente e, consequentemente, o colapso de vida para humanidade.

Quanto ao assunto camada de ozônio, existe amplo consenso científico de que as florestas são ecossistemas para a estabilidade e funcionalidade, precisam ser preservados, conservados ou restaurados.

Logo, para ter produção de água, sem dúvida, precisa–se praticar intensamente o desenvolvimento sustentável, que é Agenda 21 local, que é fundamental benefício ao agricultor e consequentemente à comunidade que da água de suas nascentes vive. É imprescindível o desenvolvimento sustentável do tripé: água x solo x floresta e de sua biodiversidade, das matas ciliares para manter a proteção do solo e produção de água, e os benefícios que dela se originam. Para isso as Políticas Públicas tem parâmetros técnico–científicos para que os programas de reflorestamento de áreas degradadas (RAD) sejam eficientes em sua totalidade. No entanto, precisa–se fazer muito, muito mais e sem cessar, pois o tempo de desenvolvimento da natureza não é o tempo da humanidade e nem da imediatistas necessidades da humanidade, já que é imprescindível ter água, pois nenhum ser vivo sobrevive sem esse líquido precioso.

Esse líquido precioso, a água, assim como as florestas, são insubstituíveis e indissociáveis, devido à eficiência e às funções que são únicas. As florestas, em razão da biodiversidade em alto grau de especialização e do endemismo, são serviços ecossistêmicos essenciais que desempenham, dentre eles, a produção de água, que é um bem comum e vital!

Por fim, afirmo que o chavão do Greenpeace Sem Floresta Não Tem Água”, demonstra a importância de medidas muito ambiciosas no tripé: água x solo x floresta, na proteção das florestas existentes e para que os reflorestamentos criem água no tempo próprio da natureza. É preciso realizar todos os esforços e num contínuo reflorestamento pelos próximos anos; é uma questão vital alcançar a meta de diminuir 1,5°C de nosso planeta, porque não temos outra casa e o Novo Código Florestal infelizmente está na contramão quanto as medidas (extensão em metros como na lei anterior 4.771/65) necessários para mata ciliar produzir água! Desenvolvimento sustentável é vital para o bem comum!

A percepção desse olhar no futuro podemos ver na figura 25, como as crianças após uma aula de educação ambiental representaram seus sentimentos; mesmo sem conhecimentos do mundo dos negócios ou da bolsa de valores, sem conhecimentos biológicos ou científicos sobre a escassez de água, simplesmente vêem o amanhã delas e de seus futuros filhos. Porque além de todos os serviços ambientais imprescindíveis, há questão da saúde em todos os sentidos, o recanto de lazer e alegria que os bosques, os parques, as reservas ambientais podem proporcionar a humanidade.


Figura 25. – Desenho de Crianças: Calendário temático do Colégio Albert Einstein de Itanhaém



Fonte: Alunos Monah Nascimento Pereira e Pedro Augusto Calliari, 2005.
O reflorestamento é iminente para seqüestro de carbono e produção de água.



[1] Rede de Águas

AO FINAL DESTE TEXTO O DIPLOMA E NOTAS.

5. BIBLIOGRAFIA
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ANÁLISE DE SOLO REALIZADO PELO IAC - INSTITUTO AGRONÔMICO DE CAMPINAS




OS ARQUIVOS FURTADOS DO MEU EMAIL PROVAS PRA JUSBRASIL, FORAM RECUPERADOS PELO GIGANTE GOOGLE.





OS MELIANTES QUE FURTARAM O TCC ESQUECEM QUE A GIGANTE GOOGLE RECUPERA ARQUIVOS!!!!







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