DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: REFLORESTAMENTO E O PROGRAMA DE CARBONO NEUTRO

Sou apenas uma criança e, não tenho as soluções, mas quero que saibam que vocês também não têm. Vocês não sabem como reparar os buracos na camada de ozônio. Vocês não sabem como salvar os salmões das águas poluídas. Vocês não podem ressuscitar os animais extintos. Vocês não podem recuperar as florestas que um dia existiram, onde hoje é deserto. Se vocês não podem recuperar nada disso, então, por favor, parem de destruir!” Veiga,2008:2

Define–se Desenvolvimento Sustentável:
[...] que é ter capacidade de gerir – é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer as possibilidades de gerações futuras de atenderem as suas próprias necessidades, como também, é uma forma de otimizar o uso racional dos recursos naturais e a garantia dos recursos e a garantia de conservação e do bem-estar para as gerações futuras. É o maior desafio da atualidade. Nas expectativas do novo século, o desenvolvimento sustentável é o novo modelo econômico, é um projeto para uma sociedade estável, ou seja, um ser humano (re)estruturado com a visão do todo [...] (Brundtland,1991:46)[2]
Para se alcançar o Desenvolvimento Sustentável criou–se Agenda 21, que surgiu a partir do momento em que o conceito de Desenvolvimento Sustentável foi aceito. O Gerenciamento Sustentável trabalha no desenvolvimento de controles para impedir desperdícios de toda a ordem, são planos e leis que regulamentam e criam estratégias para uso adequado dos recursos naturais e renováveis.
A Agenda 21 é uma ferramenta para a Sustentabilidade, são planos de ações para os países e consequentemente para os estados. A Agenda 21 local é para realizações em todos os sentidos, e nos referimos à recuperação das matas ciliares para produção de água.
No âmbito do Estado de São Paulo, a Agenda 21 desenvolve projetos voltados à manutenção da água, pois a experiência negativa – da falta de água – recente foi a criticidade no Estado de São Paulo 2013–2015, com seus reservatórios quase secos.
Com bases nestes acontecimentos,
[...] parece que começa haver uma mudança de mentalidade acerca das florestas, tanto do ponto de vista ecológico, quando socioeconômico e até estratégico, pois as florestas (naturais e plantadas) fornecem bens e serviços, de diversas naturezas, que beneficiam, direta ou indiretamente, a sociedade, como produção de água, regularização de vazão, controle de cheias, prevenção de erosão, conservação de solo, proteção da vida silvestre, oportunidades para promoção da caça e da pesca, recursos paisagísticos e impactos no clima, na poluição e na produção agrícola. (Schenttino,2003:77)[3]
O reflorestamento é de solução vital, já que no período de crescimento dos primeiros anos, os hectares de florestas captam gigantescas quantidades de gás carbônico, agindo no desenvolvimento vegetal através da fotossíntese, sendo as florestas produtoras de toda a vida, geradoras de água, água esta que provê as camadas superficiais e subterrâneas do solo, bem como o equilíbrio das condicionantes ambientais.
Lembramos que o gás carbônico não é veneno, pois ele existe livremente na natureza e está permanentemente no sangue humano e é indispensável para a vegetação elaborar a fotossíntese; logo, são as proporções e combinações que fazem com que o gás carbônico torne–se venenoso, causador do fenômeno efeito estufa. É o acúmulo de partículas resultantes da queima, por exemplo, de sulfeto de ferro e gases como dióxido e monóxido de carbono, óxidos de nitrogênio, óxidos de enxofre no ar, que destrói a camada de ozônio e causa muitos males a saúde humana, vegetal e animal.
O efeito estufa é o acúmulo dessas partículas e de tantos outros gases na camada de ozônio, que formam uma crosta que impede o calor do sol de voltar para atmosfera, formando um forno atmosférico muito próximo da camada em que a humanidade vive. Esse excesso de calor desestabiliza as massas de ar marítimas ou terrestres e sucessivamente altera fatores intrínsecos do clima, provocando na maioria das vezes grandes catástrofes que temos assistido, senão sofrido, nas últimas três décadas com mais constância, e isso ocorre devido a esta desestabilização da temperatura, desencadeando–se desequilíbrios das condicionantes ambientais. 
O meio de solução para diminuir o efeito estufa é o sequestro de carbono, que teve o conceito consagrado na Conferência de Kyoto em 1997, e hoje é conhecida como COP21/15. 
[...] com a finalidade de conter e reverter o acúmulo de CO2 na atmosfera, visando a diminuição do efeito estufa. A conservação de estoques de carbono nos solos, florestas e outros tipos de vegetação, a preservação de florestas nativas, a implantação de florestas e sistemas agroflorestais e a recuperação de áreas degradadas são algumas ações que contribuem para a redução da concentração do CO2 na atmosfera. Os resultados do efeito: sequestro de carbono podem ser quantificados através da estimativa da biomassa da planta acima e abaixo do solo, do cálculo de carbono estocado nos produtos madeireiros e pela quantidade de CO2 absorvido no processo de fotossíntese. (Equipe Árvores do Brasil)[4]
O efeito do sequestro de carbono, também conhecido como estoque de carbono, vem de encontro à vocação do solo brasileiro para florestas, que é fato preponderante, o potencial para se tornar um mercado internacional de carbono dentro do Brasil por muitos anos, é garantia certa a partir do momento que realizarem as Agendas 21 local e estadual, por que são das pequenas ações que se geram as grandes ações e, sem dúvida, gerarão novas formas de empregabilidade, criando uma cadeia produtiva, criando uma economia sustentável.
Conforme o Acordo de Paris sobre o Clima – COP21/15 – ratificado e aprovado pelo Congresso Nacional Brasileiro, nos esclarece o Secretário de Mudanças Climáticas –– MMA, Sr. Everton Lucero, que a meta assumida pelo Brasil é de reflorestar 12 milhões de hectares para contribuir com a ação ambiciosa dos demais 194 países que assinaram o Acordo da COP21/15, que ratificaram o Acordo na COP22 em 04 de novembro de 2016 em Marraquesh, na Índia, com pretensão de diminuir 1,5°graus, contando a partir da era industrial, para reverter o aquecimento global e evitar os extremos climáticos à temperatura mundial. E na COP23 em Boon na Alemanha em nov/2017 muitas negociações positivas que promete render frutos para o Brasil, já que a Alemanha e Reino Unido vão financiar €150 milhões de EUROS para Fundo Amazonas, isso representa R$600 milhões de Reais para aplicar no reflorestamento.[5]
No Brasil, pretende–se intensificar ações já existentes, como combater o desmatamento para alcançar a meta, assim como energia limpa e tantas outras estratégias de âmbito nacional que serão amplamente expostas aos setores produtivos e ao congresso nacional, para assim implementar as metas do ambicioso e grandioso projeto, com objetivo de alcançar o desafio de investimentos para recuperar 12 milhões de hectares de florestas até 2030. E sem dúvida multiplicará o volume de águas e chuvas, porque solo x água x floresta são indissociáveis.
E um dos grandes pesquisadores no Brasil, o Eng. Agrônomo Paulo Kageyama, Prof. Dr. da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP – ESALQ, pioneiro em pesquisas de espécies nativas brasileiras (falecido maio/16) foi inspirador do estudo: “Quanto o Brasil precisa investir para recuperar 12 milhões de hectares de florestas? ” e, segundo o engenheiro florestal Eduardo Gusson da Biodentro Consultoria Florestal, um dos responsáveis pela equipe florestal, o modelo de Kageyama foi fundamental para que assim pudessem se criar outros modelos florestais, a partir dele, inseridos nos modelos econômicos. (Equipe NUCABRASIL, 2016)[6]
Então foi realizado, a pedido da Coalizão Clima, Florestas e Agricultura–movimento multisetorial formado por 120 empresas, associações setoriais, organizações da sociedade civil e centros de pesquisa–que encomendou às equipes multidisciplinares do Instituto Escolhas e do Centro de Estudos da Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces), cálculos dos investimentos necessários e receitas decorrentes da recuperação florestal de 12 milhões de hectares até 2030, conforme compromisso assumido pelo Brasil em sua meta de redução de emissões assumida na reunião da Convenção do Clima de Paris, em dezembro de 2015. 
Fonte: Instituto Escolhas, 2015:9
O Instituto Escolhas apresenta quanto o Brasil precisará investir para recuperar 12 milhões de hectares de florestas, investimento esse que será entre R$31 bilhões e R$52 bilhões, conforme o cenário escolhido, isso significa ter investimentos anuais entre R$2,2 bilhões e R$3,7 bilhões por 14 anos, a criação entre R$138 mil a R$215 mil empregos e a arrecadação entre R$3,9 bilhões a R$6,5 bilhões em impostos. (Instituto Escolhas: 2015:6)[7]
Segundo estudos elaborados pelo Instituto Escolhas e Getúlio Vargas “A floresta recuperada será fonte, ainda, de atividades econômicas, por meio das cadeias produtivas dos seus produtos, movimentando dezenas de bilhões de dólares nas próximas décadas.” (Instituto Escolhas, 2015:6). Como vemos na figura 22, serão favorecidos o Bioma da Amazônia e Bioma da Mata Atlântica para recuperação dos 12 milhões de hectares. 
Esse é um dos investimentos verdes na busca da baixa emissão de carbono para reduzir gases do efeito estufa (GEE), que intensificarão os produtos de energia limpa já existentes e outros investimentos verdes surgirão como oportunidades de negócio, já que o Meio Ambiente oferta inúmeras maneiras de sustentar a humanidade gratuitamente e também porque não existem tecnologias que reproduzam os serviços ambientais.
Segundo o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia – IDESAM, que é uma das equipes de especialistas em Programas de Carbono Neutro no Brasil, que utiliza o modelo de Agro–florestal que sequestra 3,33 t/ha e que após 27 anos de implantação estará sequestrando 333,43 tCO2/ha, significando que aumentarão nos próximos anos devido as atividades do Acordo de Paris de 2015–COP21. Lembramos que, para colaborar com outras energias limpas, podemos calcular outros fatores de emissão, como gasolina (km), óleo diesel (km), álcool (km), botijão de gás, energia elétrica (kWh), encontrados nos sites do IDESAM, Instituto ESCOLHAS e Iniciativa VERDE entre outros.[8][9][10]
Descrevemos os estudos sobre a busca pelo baixo carbono e que geram créditos de carbono através da compensação pelas emissões de gases de efeito estufa (GEE). E, como exemplo, num dos Projetos do Instituto Oikos de Agroecologia, realizado em 2012, que atuou em Lorena – Vale do Paraíba – SP, movimentaram os proprietários rurais, para que aderissem ao Projeto Carbono Seguro, mantendo as árvores em pé por 30 anos. David Dieguez Diretor informou: 
"Em nossos cálculos, sabemos que uma árvore da Mata Atlântica cresce por 37 anos e, durante esse período uma árvore vai sequestrar 190 quilos de gás carbônico (5,13 kg/ano). Mais há projetos, com determinadas espécies arbóreas, que dizem que apenas uma árvore absorve de 400 a 1.000 quilos (1 tonelada) de carbono por ano".(LEPAC, 2014:636)(INICIATIVA VERDE, 2010).
Tabela 8 – Estimativa do Carbono Neutro por t/ha e t/ha/ano

Fonte: Da própria autora 10/16
Como vemos na figura 23, as árvores são verdadeiros estoques de carbono. Os pesquisadores revelam que, quanto mais velha é uma árvore, mais a árvore capta dióxido de carbono (CO2) na atmosfera para continuar a crescer, se não em altura, em diâmetro. As árvores absorvem da atmosfera o CO2, o principal gás causador do efeito estufa, responsável pelo aquecimento global e o armazena em seus troncos, seus galhos e suas folhas e nos solos. As florestas são grandiosos reservatórios de carbono. E, segundo Rodacoski & Andrade, chega–se a referenciais mais corretos, de que cada árvore madura da Mata Atlântica pode sequestrar entre 987 e 1.240Kg CO2 acima do solo. [11][12]
O carbono tanto se fixa no solo como na planta.
Figura 23. – Sequestro de Carbono em Área Degradada Reflorestada
Fonte: Rodrigues et al, 2007:11
Lembramos, ainda, que o reflorestamento sucessivo num período de 30 anos tende a absorver CO2 sempre pela metade, já que CO2 representa 50% do fenômeno do efeito estufa. Com a contínua revegetação, o próprio crescimento das árvores e a evolução natural das áreas reflorestadas, dentro da capacidade que as florestas têm de absorverem CO2, serão capturadas grandes cargas de CO2, ocorrendo à diminuição gradativa, somado ás medidas adotadas com os demais investimentos de energia limpa, sem dúvida, cumpriremos parte da meta para o equilíbrio que se almeja do CO2.
BIBLIOGRAFIA
[2]Comissão Mundial Sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (ONU). Nosso Futuro Comum. São Paulo, FGV, 1.991.
[3]Schentino, Luiz Fernando. Desenvolvimento Sustentável das Florestas. Editora Vitória, ES, 2003.
[7]Kishinami, Roberto & Watanabe Jr., Shigueo. Quanto o Brasil Precisa Investir Para Recuperar 12 milhões de Hectares de Florestas? Disponível:http://escolhas.org/wp-content/uploads/2016/09/quantoe.pdf 
[8]LEPAC – Laboratório de Estudos de Pesquisa – UNICAMP. Carbono Compensado – Programa de Plantio de Árvores na BR 101. Disponível: http://www.lepac.preac.unicamp.br/carbono/oqe.html;        
[9]IDESAM – PROGRAMA DE CARBONO NEUTRO. Disponível: http://www.idesam.org.br/calculadora2016/calculadora2016.php  
[10]INICIATIVA VERDE.Disponível:http://www.iniciativaverde.org.br/
[11]Marcondes, T.C., Andrade, C.F.S., Velloso, S.L. Educação Ambiental para a Adesão aos Princípios do Carbono Neutro em Paraty. Disponível: http://www2.ib.unicamp.br/profs/eco_aplicada/revistas/be597_vol3_3.pdf
[12]Ambiência – Revista do Setor de Ciências Agrárias e Ambientais V.10 N.2 Maio/Ago. 2014:636, a Estimativa de Mike McAliney (22 kg de CO2/ano/árvore do Bioma da Mata Atlântica).
[13]Rodrigues, Ricardo Ribeiro; Bracalion, Pedro Henrique Santin; Isernhagem, Ingo;. Pacto pela Restauração da Mata Atlântica. Disponível: http://www.lerf.esalq.usp.br/divulgacao/produzidos/livros/pacto2009.pdf

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