PROPOSTA DE REFLORESTAMENTO MATA CILIAR: TRECHO DA MARGEM DIREITA DO RIO BRANCO, A JUSANTE DA BARRAGEM MAMBU–BRANCO – ITANHAÉM – SP.

Autor\: Aluna Elaine da Silva[1] 

RESUMO:
               Este artigo demonstra os estudos que foram executados em uma área objeto de implantação para uma proposta de restauração florestal, em um trecho da margem direita do Rio Branco em Itanhaém–SP. Para tanto, foram investigadas as características físico–químicas do solo, em um local com histórico de cultivo agrícola de banana, que invadiu a Área de Preservação Permanente. Apresentamos as indicações do Instituto Agronômico de Campinas–IAC dos macro e micronutrientes necessários para recuperação do solo, assim como a adubação mineral para o crescimento mais rápido nos primeiros anos. Seguimos as etapas de avaliação: Coleta do solo; Análise indireta: teste do vidro; Determinação granulométrica – processo de peneiramento; Análise gráfica dos dados de granulometria; Averiguação do teor de umidade; Análise táctil – visual e classificação textural; Análise do solo – pelo Laboratório do Instituto de Agronômica de Campinas – IAC(análise após a bibliografia).

Palavras chaves: análise do solo, adubação de solo, recuperação florestal, experimentos empíricos com solo, granulometria, estudos do solo, reflorestamento.

ABSTRACT[2]: 
            This article demonstrates the studies that were carried out in an area subject to the implementation of a forest restoration proposal, in a stretch of the right bank Rio Branco in ItanhaémSP. For that, the physicalchemical characteristics of the soil were investigated, in a place with a history of agricultural banana cultivation, and invaded the Permanent Preservation Area. 
We present the indications of the Agronomic Institute of CampinasIAC of the macro or micronutrients needed for soil recovery, as well as the mineral fertilizer to favor the fastest growth in the first years.We follow the evaluation steps: Soil collection; Indirect analysisGlass test; Granulometric determination  sieving process; Graphical analysis of granulometry data; Check moisture content; Analysis tactile and visual and textural classification; Soil analysis  by the laboratory of the Agronomic Institute of Campinas – IAC. 
Key words: soil analysis, soil fertilization, forest recovery.

[1] Aluna formada pelo Curso de Técnico em Meio Ambiente da ETEC de Itanhaém. Este artigo é parte do TCC que está no Blogger(http://meioambientesoloaguafloresta.blogspot.com.br/). TCC que eu elaborei com outros colaboradores de Instituições renomadas e o Professor Alex Paulo de Araújo é profissional experiente em solo, que colaborou com a coleta, acompanhou todos os procedimentos no laboratório, recebi orientação e correção. Os agradecimentos constam no TCC.

1.INTRODUÇÃO
As florestas tem grande importância no ciclo hidrológico, pode–se afirmar que formações vegetais são produtoras de água, em especial as matas ripárias com sistema de produção de água e manutenção das margens dos cursos d’água. E, também recebe outras denominações, tais como: mata de galeria, bordas da floresta, vegetal marginal, floresta marginal, floresta ripária, florestas ciliares, florestas ripícolas, mata beira–de–rio, mata beiradeira, zona ripária, formações florestais ribeirinhas, mata aluvial.
As Matas Ciliares são importantes elos de controles dos escoamentos das águas, logo, sua presença, contribui para o estoque de águas subterrâneas, pelo seu papel de reduzir o escoamento superficial e facilitar a infiltração de água no solo. Essa relação também se reflete na vazão das nascentes, pois essa depende das flutuações no volume do lençol freático e precipitações.
Os danos ambientais nessas áreas de mata ribeirinha começam pelo desflorestamento, em seguida surge o processo de erosão do solo, o assoreamento dos cursos d’água, que vão destruindo a vida aquática.  No caso de nossa área de estudo há invasão de cultivo de banana e a área ficou perturbada, logo a recuperação do solo e o reflorestamento reequilibrarão o ecossistema.

2.MATERIAL E MÉTODOS
       Para o desenvolvimento deste estudo de recuperação do local investigado em Área de Preservação Permanente–APP, que está perturbada pela cultura agrícola, foram realizados os seguintes procedimentos: – consulta de referências bibliográficas especializadas em recuperação de áreas degradadas e obtivemos colaboração de profissionais da área de engenharia agronômica e florestal, assim como a imprescindível análise do solo, realizado pelo Instituto de Agronomia de Campinas – IAC. E, executamos também, experimentos com o solo coletado para análise no laboratório da Escola Técnica Estadual – ETEC de Itanhaém, para caracterizar o solo e, desta maneira aplicar as técnicas e métodos, as práticas indicadas para recuperação do solo para implantação de reflorestamento da mata ciliar, com as espécies nativas, para alcançar o reequilíbrio do ecossistema ripícola do trecho estudado.
2.1. Experimentos com solo da área de estudo no laboratório da ETEC
           A área em estudo está considerada como NÃO CONSOLIDADA, apesar do Instituto Nacional de Reforma Agrária – INCRA não fornecer dados por serem sigilosos, assim também acontece com o Novo Sistema Cadastro Ambiental Rural – CAR (utilizamos a área de forma virtual).
           Figura 1 – Localização da Área de Investigação

            Fonte: Atlas 2012:15 [1], Imagem Google Earth 02/05/2016 e Fotos dos autores de 04/16.

Os estudos que foram executados nesta área objeto são de implantação de uma proposta de restauração florestal, em um trecho da margem direita do Rio Branco em Itanhaém–SP. Para tanto, foi investigada as características físico–químicas do solo, em um local com histórico de cultivo agrícola de banana, que invadiu a Área de Preservação Permanente.  Apresentamos as indicações do Instituto Agronômico de Campinas–IAC dos macro e micronutrientes necessários para recuperação do solo, assim como a adubação mineral para o crescimento mais rápido nos primeiros anos.
Figura 2 – Área Objeto de Investigação Demarcado

Fonte: Imagem Google Earth 02/05/2016
           Nossa área objeto de investigação possui uma topografia plana, localizada na planície costeira, porém, observa–se no entorno imediato feições de relevo acidentado, morros residuais do Planalto Atlântico. Segundo a Resolução Conama n° 417/09, a vegetação próxima da área de estudo é de Floresta Ombrófila Densa, enquadrando–se em Florestas Baixas e Altas de Restinga do Bioma da Mata Atlântica, que após ter sido invadida e desflorestada a mata ciliar, o solo foi ocupado pelo cultivo de banana. A área de estudo tem função ambiental de zona tampão do Parque Estadual da Serra do Mar–PESM. Suas dimensões, segundo imagem do Google Earth de 02/05/2016, são latitude: 24°05’01.91”S e longitude: 46°48’14.52”O, com elevação de 9 metros e altitude do ponto de visão 598 metros.
            Figura 3. Coleta de solo

            Fonte: Fotos dos autores de 04/16
Demonstraremos as análises que executamos no laboratório da Escola Técnica Estadual–ETEC com a finalidade de apurar granulometria e textura do solo.
Na figura 3, apresentamos o solo coletado em nossa área estudada, nas profundidades determinadas pelo Instituto de Agronomia de Campinas – IAC: 1ª. amostra – 0 a 10 cm e 2ª. amostra – 10 a 20 cm.

3. RESULTADOS
               Figura 4 – Mapa da região de Itanhaém–Solo Predominante na Área de Estudo


                  Fonte: Atlas de Itanhaém, 2012:22
Na figura 4, vemos os solos da cidade de Itanhaém que foram estudados pelos Técnicos do Instituto Agronômico de Campinas – IAC, e seus estudos encontram–se no Atlas de Itanhaém de 2012.
A classificação do solo predominante na área de estudo, é Câmbicos, Cambissolos. Utilizando–se a classificação da EMBRAPA, a formação Cambissolos – solo pouco desenvolvido (argila de atividade baixa), entre outras formações. (Atlas Ambiental, 2012:22)
Quanto à análise do solo da área de estudo, realizada pelo Instituto de Agronômico de Campinas – IAC em 08/16 verificou–se a necessidade de calagem e adubação, indicação do parecer da análise, pois é um solo de natureza pobre e ácido, que possui um pH entre 3,90 a 4,10. Na área de estudo, que tem aproximadamente 11 hectares, será necessário reflorestar aproximadamente 30.900 m² igual a 3,09 hectares. O solo pobre e ácido tem a necessidade de aplicação de calagem para neutralizar a acidez e “...aumentar  disponibilidade  nutrientes, diminuir tóxicos, melhorar o ambiente radicular e restaurar a capacidade produtiva do solo.” [4]
3.1. Teste do vidro
              Os experimentos do teste de vidro na 1ª. amostra, identificou o solo com as seguintes características: altura: – 2,5cm solo grãos (granulares), 2cm de solo fino e solo muito fino 2mm, 6,5 cm de água e matéria orgânica em suspensão. Na 2ª. amostra, as características: altura: – 3,5 cm solo grãos (granulares), 1,5 cm de solo fino e 2mm de solo muito fino, 7,5 cm de água e muito mais matéria orgânica em suspensão. Segundo a Carta de Mussell (montagem da foto), destacam–se as colorações de características câmbicos e cambissolos distróficos.  
              Figura 5. – Análise Indireta: Teste do Vidro com Amostras e Carta de Munssell

 
       Fonte: A autora
        Vemos que “o solo é constituído de partículas minerais de diferentes tamanhos, chamadas de frações granulométricas. A textura do solo consiste na proporção relativa das frações granulométricas existentes em um solo. Ou seja, o quanto se tem de areia, silte e argila em uma amostra de solo.” [4]
         A análise de sedimentação nos oferece dados em % para construção do ponto de encontro na pirâmide textural, o resultado demonstrado na figura 6, classificou as amostragens de solo de textura média.
        Tabela 1 – Análise de Sedimentação
        Fonte: A autora
        Figura 6 – Triângulo de Grupamento Textural
          Fonte: Santos et. al., 2005:19
3.2. Determinação Granulométrica
          Sabemos que o solo é composto de camadas formadas de partículas de diversos diâmetros, espessuras e pesos, no processo de peneiramento utilizamos peneiros de inox e em nosso experimento  empregamos os que medem de 20µm a 2mm. O ensaio de granulometria é utilizado para determinar percentagem em peso das frações granulométricas dos solos, caracterizando o tipo de solo existente na área objeto de investigação. [2],[3],[11]
          Tabela 2 – Peneiramento do Solo
         Fonte: A autora
 3.3. Análise Gráfica dos Dados de Granulometria
O objetivo desta análise gráfica da 1ª amostra é obter a curva granulométrica de um solo, com a finalidade de verificar diâmetro e peso das partículas de cada fração correspondente ao solo analisado. Segundo a escala da Embrapa, a amostra é constituída por partículas de 2mm a 20 µm da classe areia. Temos um solo fino e com partículas de origem rochosa e numa quantidade significativa e em nosso estudo empírico, a maior concentração de partículas é com dimensão de 63µm de solo fino e peso de 30,38 gramas.
             Gráfico1–Assimetria Positiva da Análise Granulométrica da 1ª. amostra.
              Fonte: A autora
O comportamento da curva é de assimetria alongada para direita, logo assimetria positiva, que indica na porção estudada de 100 gramas, que há três volumes de sedimentos que se destacam com dimensões muito pequenas, partículas muito finas, e as partículas de dimensão inferior que tem esse valor positivo. “... amostras com esferas de 63μm e mais de 1g de peso revelam elevada acurácia, devido à interação das partículas ao sedimentarem.” [2]
Por fim, o solo é elementos minerais, matérias orgânicas, sedimentos e outros materiais, que por milênios vão se deteriorando e solidificando e se transformando e formando regiões, e assim podemos descobrir do que é formado através de análise do solo. [2],[3]
A 2ª. amostra é constituída por partículas de 2mm a 20 µm da classe areia. Temos um solo fino e com partículas de origem rochosa em quantidades significativas e em nosso estudo empírico, repete–se na 2ª amostra, a maior concentração de partículas com dimensão de 63µm de solo fino e peso de 42,35 gramas.
 Gráfico 2 – Simetria na Análise Granulométrica da 2ª amostra
Fonte: A autora
Quanto ao comportamento da curva é praticamente simétrico, com pequeno alongamento à direita, logo é positivo como na 1ª. amostra, que indica na porção estudada de 100 gramas que há uma quantidade mais elevada de sedimentos com dimensões de partículas muito mais finas. [2],[3]
3.4. Teor de Umidade
Quanto à averiguação do teor de umidade a diferença é praticamente insignificante de 2% nas porções analisadas, variando apenas a profundidade no ato de coleta.
        Tabela 3Averiguação Teor de Umidade
Fonte: A autora
3.5. Análise Granulométrica
        Na figura 7, a análise do solo nesse teste permitiu apreender o que o tornou leve como talco, de tonalidade clara e quanto ao tato percebeu–se pó sedoso com micros grânulos e bastante brilhoso, devido aos sedimentos. O processo de peneiramento destacou as maiores quantidades, numa porção de 100 gramas, de cada amostra analisada. Na 1ª. amostra, a medida 63 μm com 30,38 gramas e na 2ª. amostra, a medida 63 μm com 42,35 gramas.
       Figura 7 – Teste Táctil Visual

       Fonte: A autora
        Quanto à figura 8, a análise é bem subjetiva da textura, porque é por meio da sensação, e o experimento comprovou que quando seco, após passar pelo processo de peneiramento, tem–se a sensação de sedosidade e leveza do talco e quando molhado, é modelável e pegajoso como a argila.
     Figura 8 – Classificação Textural.


   Fonte: A autora
Em nossos experimentos, verificamos a importância de se fazer análise do solo, pois somente dessa forma são obtidas informações do que o solo é composto e do que o solo tem deficiência, seja macro ou micronutrientes, matéria orgânica entre outras informações, para que se recomponha e a análise é instrumento para auxiliar o produtor rural no aumento da lucratividade agrícola ou florestal e restabelecer a fertilidade do solo, caso seja necessário aplicação de adubos químicos e/ou orgânicos.
“Ao mesmo tempo, é indispensável avaliar o uso do solo em função das suas potencialidades e limitações ecológicas, tendo–se como referência a sustentabilidade dos recursos naturais. No caso das florestas, as iniciativas de preservação, recuperação ou uso sustentado devem contribuir para a conservação dos recursos hídricos, sob a ótica da gestão integrada da microbacia, da sub-bacia e finalmente da bacia hidrográfica como um todo.”[6]
   Lembramos que as análises de solo são rápidas e de baixo custo, devem ser feitas entre 2 a 4 anos ou num prazo de tempo mais curto, se houver recomendação de um profissional e as análises de solo são interpretadas, via de regra, por profissionais como Engenheiros Agrônomos, Engenheiros Florestais e Zootecnistas.[7]
3.6. Análise do solo pelo Instituto Agronômico de Campinas - IAC
                 Figura 9. – Área de estudo demarcada com modelo de reflorestamento
                 Fonte: Imagem Google Earth, 02/05/2016
   Demonstramos a demarcação da área objeto de investigação para reflorestamento e com medidas estimadas. Para tanto, a primeira etapa de trabalho com o solo é o calcário; informamos que o Parecer do IAC esclarece que o balanço nutricional não foi elaborado por não justificar–se tecnicamente. Quanto ao calcário: “...a incorporação do calcário ao solo, mediante revolvimento com arações e gradagens, altera as características físicas do solo, diminuindo a porosidade, a distribuição de tamanho e a estabilidade dos agregados, além de destruir os canais resultantes do crescimento radicular e da atividade biológica, o que prejudica a infiltração de água, aumentando o escorrimento superficial e facilitando a erosão....corretivos com qualidade baixa são em geral mais baratos, mas em compensação, devem ser usados em quantidades maiores para corrigir a acidez dos solos.” [4]
A indicação sobre o calcário no parecer do IAC informa que a prática da calagem encarece muito a atividade de reflorestamento; no entanto, sendo empregado recomenda–se aplicação a lanço, sendo necessários 2 t/ha, aplicando–se somente em solos muito degradados e deve–se aplicar 30 dias antes do início de plantio. Em nossa área de estudos, que se encontra perturbada, a equipe multidisciplinar é quem vai determinar a quantidade a ser aplicada e de que maneira aplicar.
3.7 Adubação Mineral
Quanto às demais recomendações do Instituto Agronômico de Campinas – IAC após a calagem, a segunda etapa é a  adubação mineral, que deve ser aplicada nos regos. Estes insumos tem a grandeza Kg/ha, logo, indicamos o total para os 3,09 hectares de reflorestamento:
                Tabela 4. – Dados do Instituto Agronômico de Campinas
(*) formulação calculada como ideal 20–00–15 + 1% de B + 1% Zn.
Fonte: Parecer de Adubação Mineral do IAC
O Eng. Agrônomo Wilson A. Contieri, do Instituto Florestal de São Paulo, colaborou nesta TCC com os cálculos da Adubação Química do Solo: “Os cálculos foram feitos considerando que cada muda plantada (uma cova) demanda 0,200 kg de fertilizante NPK. Considerando que em um hectare sejam plantadas 2.500 mudas o total de fertilizante a ser aplicado em um hectare deve ser obtido pela multiplicação, conforme: 2.500 mudas (covas) x 0,200 kg de fertilizante = 500 kg/ha de fertilizante NPK.”
O Eng. Wilson instruiu: “Na pratica as dosagens de NPK variam de 150 a 200 gramas por cova, a adubação de florestas nativas tem como objetivo propiciar um desenvolvimento inicial mais rápido para que as espécies florestais plantadas passem pelo filtro da concorrência com as plantas daninhas ou ruderais, não é como na agricultura onde temos uma meta de produtividade que pretendemos atingir.”
Para completar a adubação de nossa área de estudos, a terceira etapa é adubação mineral de cobertura, que deve ser executada entre 3 a 6 meses após o plantio, na forma de filetes contínuos ao redor da projeção das copas ou no meio do espaçamento entre linhas de plantios. As aplicações devem coincidir com as chuvas mais intensas; devem–se utilizar insumos simples.
              Tabela 5. – Dados do IAC. Formulação para ser aplicada após 3 e 6 meses.
               Fonte: Parecer de Adubação Mineral do IAC
Na última observação da análise do IAC, não foi possível verificar a necessidade de aplicar ao solo – gessagem, porque a 2ª. amostra de 10 a 20 cm–sub superfície  não acusou argila no solo.
Complementando orientações sobre adubação mineral para área estudada, o Eng. Wilson nos cálculos que elaborou, segundo o parecer da análise do solo do IAC, estabeleceu que para os 3,09 hectares x 500 kg de fertilizante = 1.545 kg de fertilizante NPK, que serão distribuídos nas porções 0,200 kg por cova, como é recomendado.
Segundo Prof. Dr. Venâncio da UFV, sobre restauração de áreas perturbadas ou degradadas recomenda–se quantidades: “a aplicação de 150g a 200 g de NPK 4–14–8 ou 100g de NPK 6–30–6, mais 2 litros de esterco de curral curtido ou de galinha curtido, por cova, de forma generalizada.” [8]
Buscamos mais informações com Prof. Dr. Venâncio da UFV, que nos instruiu: “...que a adubação varia em função da fertilidade do solo. A mais tradicional é NPK 4-14-8, mais hoje se tem usado outras formulações como NPK 6-30-6 ou ainda, NPK 10-30-10 e, ainda Fertilizantes de Liberação Controlada da linha Basacote Plus que busca eficiência nutricional, otimização de operações e segurança de aplicação e, Basacote Mini que busca eficiência nutricional para aplicação em estufas e viveiros e Fosfato reativo entre outros, nas proporções já indicadas em suas publicações. ”[8]
No mesmo sentido de trabalho do Prof. Dr. Venâncio, a equipe do Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal – LERF–, executou adubação de base na área – num município de Campinas – SP, que aplicaram medidas de fertilizantes na proporção de 200 gramas por cova, NPK 6–30–6 (ou outro equivalente com elevado teor de Fósforo (P)), a indicação é similar, em referência a quantidade ao do Prof. Dr. Venâncio e adubação orgânica é a mesma. [9]
Com os mesmos procedimentos do Prof. Dr. Venâncio e do LERF, a equipe do Departamento de Proteção da Biodiversidade do Projeto de Recuperação de Matas Ciliares da Secretaria do Meio Ambiente tem a pratica: ”...adubação realizada nas covas que pode ser orgânica, empregando–se 6 litros de esterco de curral curtido, ou 3 litros de esterco curtido de galinha, por cova, ou adubação química, misturando na terra da cova a fórmula NPK 4–14–8 ou outra fórmula comercial disponível, na quantidade de 200 gramas por cova. Deve–se misturar o adubo químico e/ou o orgânico com a parte de cima do solo retirado da cova, colocando essa mistura no fundo e completando com o restante do solo. Adubação de cobertura: após 90 dias do plantio, a adubação de cobertura distribuindo–se a lanço o adubo químico em torno da planta, evitando–se a distância de 20 centímetros ao redor da muda. Pode ser usada a formulação NPK (20–00–20), aplicando–se 200 gramas por planta.” [10]

4.Conclusão
Concluímos que durante o período do projeto, a área reflorestada receberá monitoramento para que a revegetação pioneira, secundária inicial e tardia e por último, as espécies clímax; passando a ser Floresta de Conservação e Perpétuas, pelos serviços ambientais que prestam. Dessa maneira, em alguns anos, a Mata Ciliar recuperada desenvolverá a estrutura e função do ecossistema.
Adotamos, por convicção, o reflorestamento com metragens mantidas no Novo Código Florestal para área consolidada, que tem capacidade de produzir água com eficiência, tanto superficial como subterrânea, e na evaporação formam rios que voam, como especialistas já comprovaram.
Os especialistas que estudamos e consultamos têm em suas análises proximidade uma das outras, no que refere ao NPK em variadas formulações, e muitas vezes utilizam produtos importados como Osmocote e Basacote, que são adubos importados de liberação controlada, com variações de NPK para 3, 6, 9 e até 12 meses. Os especialistas permanecem no consenso de crescimento mais rápido da floresta nos primeiros anos, favorecendo o sequestro de carbono.
           Certamente num prazo estimado de 3 a 6 meses, depende da formulação adotada, o solo terá absorvido os nutrientes adicionados e desta forma o solo restaurado terá a vegetação ali plantada tonificada, podendo desenvolver–se de maneira sustentável e no período de monitoramento receberão outras quantias de nutrientes e fertilizantes que garantirão a formação de uma Mata Ciliar.
         Apesar de economicamente a atividade de reflorestamento tornar–se mais cara, devido à aplicação de calcário, é imprescindível a revitalização do solo com adubação orgânica ou química, para obter–se uma durabilidade de nutrição para vegetação. Por isso, a proposta é viável, pelo futuro retorno ambiental que floresta proporcionará, produzindo água, resgatando o gás carbônico, formando cadeia alimentar da fauna terrestre e aquática, reequilibrando o ecossistema; enfim, desenvolvimento sustentável é retorno certo e duradouro!

5.BIBLIOGRAFIA
Endereços eletrônicos:
[1] Atlas Ambiental do Município de Itanhaém. Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo – IPT. Prefeitura Municipal de Itanhaém – PMI, p.15- 22. http://www.itanhaem.sp.gov.br/atlasambiental/conteudo/1-Atlas-Ambiental-Capa-Apresentacao.pdf – Acessado em 01/05/16.
[3] Koslovski, Guilherme Piegas. Roteiro – Granulometria, p.20.http://udesc.br/?id=1980; http://www.cct.udesc.br/?id=1298 Acessado em 01/09/16.
[4] Tavares et. al., Silvio Roberto de Lucena. Curso de Recuperação de Áreas Degradadas, p.23-50-51. https://www.ufjf.br/analiseambiental/files/2012/02/curso_rad_2008.pdf   Acessado em 01/08/16.           

[6] Lino, Clayton Ferreira & Dias, Heloisa (Org.). Águas e Florestas da Mata Atlântica – Por uma Gestão Integrada.http://www.ambiente.sp.gov.br/wp-content/uploads/cea/aguaefloresta.pdf Acessado em 01/10/16.
 [7] Watanabe et. al, A.M,. Por que fazer análise de solo? http://www.soloplan.agrarias.ufpr.br/analisedesolo.htm    – Acessado 01/09/16.
[9] Rodrigues, Ricardo Ribeiro; Bracalion, Pedro Henrique Santin; Isernhagem, Ingo; Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, p. 200-201. http://www.lerf.esalq.usp.br/divulgacao/produzidos/livros/pacto2009.pdf – Acessado em 01/08/16.
[10] Calheiros et. al., Rinaldo de Oliveira. Cadernos da Mata Ciliar N°1, SMA, CETESB, p.17http://www.sigam.ambiente.sp.gov.br/sigam3/Repositorio/222/Documentos/Cadernos_Mata_Ciliar_1_Preservacao_Nascentes.pdf    – Acessado 01/09/16
[11] LEB Laboratório de Biossistemas. Granulometria. http://www.esalq.usp.br/departamentos/leb/granulo1.html  Acessado em 01/09/16.
LIVROS:
              [8] Venâncio, Sebastião. Recuperação de Áreas Degradadas. Aprenda Fácil. MG, 2010, P. 116.





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